Na terça‑feira (8/9), Alexandre Domênico, presidente da Gaviões da Fiel, publicou vídeo no qual pediu votos para Thiago Surfista (PL), candidato a deputado federal e vice‑prefeito de Guarulhos, provocando reação adversa da torcida organizada do Corinthians e gerando debate sobre a suposta influência partidária da entidade apartidária, fundada em 1969.
Contexto Institucional e Histórico da Medida
A Gaviões da Fiel, entidade esportiva criada em 1969 em oposição à diretoria do Corinthians durante a ditadura militar, mantém estatuto que a classifica como apartidária, proibindo vínculos formais com legendas políticas; tal posicionamento institucional foi reafirmado por seus dirigentes perante à imprensa, embora o presidente Alexandre Domênico tenha optado por divulgar apoio ao candidato Thiago Surfista, cujas propostas incluem o fim da torcida única, a redução de preços nos ingressos e maior liberdade para os torcedores nos estádios.
A apuração revelou que a publicação do presidente ocorreu após consulta ao Conselho Deliberativo da Gaviões, que aprovou a candidatura de Surfista com foco nas demandas organizacionais dos torcedores; contudo, integrantes da torcida e comentaristas criticaram a iniciativa, considerando‑a incompatível com a neutralidade estatutária da entidade.
A Gaviões da Fiel, fundada em 1969, afirma que o apoio ao candidato não implica vínculo partidário oficial.
Repercussão Jurídica e Posicionamentos
Diversas vozes dentro da torcida manifestaram consternação e repúdio ao posicionamento de Domênico, destacando que o uso da entidade para fins eleitorais pode ferir o princípio de neutralidade que rege a Gaviões da Fiel; além disso, a Diretoria do Corinthians condenou a atitude como vergonhosa e preocupante, enquanto membros do Conselho Deliberativo reafirmaram que as deliberações foram baseadas em pautas específicas das torcidas organizadas.
Especialistas em direito associativo apontam que a Constituição da entidade permite que seus dirigentes exerçam liberdade de voto individual, desde que não haja imposição institucional, o que ainda assim gera questionamento sobre os limites éticos do uso de símbolos e estruturas organizacionais em campanhas políticas.



