A Corregedoria do Estado do Rio de Janeiro instaurou sindicância para apurar denúncias de condutas irregulares contra o ex-presidente da Loterj, Hazenclever Cançado, que, entre julho de 2022 e março de 2026, registrou gastos superiores a R$ 585 mil em passagens, diárias e hospedagens, além de ter determinado que a Rio Pag retivesse valores referentes a apostas, o que culminou na bloqueio de bens da empresa e em uma transferência única de R$ 16.526.712,16 à autarquia.
Apuração da Solicitação e Contexto da Sindicância
A investigação formal, conduzida pela Corregedoria Estadual do Rio de Janeiro, busca esclarecer denúncias que apontam para o uso indevido da máquina pública pela figura de Hazenclever Cançado, ex-presidente da Loterj e atual candidato à Câmara dos Deputados pelo Partido Liberal (PL), tendo sido ex-assessor do senador Magno Malta (PL) e figura central em uma série de práticas que, segundo os relatos, configuram assédio moral e uso da autarquia para benefício pessoal.
Nos últimos quatro anos no cargo, Cançado autorizou despesas com passagens aéreas totalizando R$ 386 mil e diárias no valor de R$ 172 mil, além de custos com hospedagem que elevaram o total gasto em mais de R$ 585 mil, enquanto sua decisão de impedir a repasse da parte da intermediação das apostas à Loterj gerou bloqueio de bens da Rio Pag e revelou uma dívida pendente de cerca de R$ 4,6 milhões.
Mais de R$ 585 mil foram gastos em passagens, diárias e hospedagem pela Loterj durante a gestão de Hazenclever Cançado.
Repercussão Institucional e Desdobramentos Jurídicos
Após a exoneração de Cançado em março de 2024, sob o novo comando do governador Ricardo Couto, a Loterj acionou judicialmente a Rio Pag para regularizar o repasse dos valores retidos, culminando no bloqueio de bens da empresa e na transferência única de mais de R$ 16 milhões.
A situação ainda mobiliza órgãos públicos e especialistas jurídicos, que analisam as implicações do contrato lesivo firmado com a Rio Pag — que concedia monopólio na intermediação das apostas com taxa superior à padrão do mercado — e avaliam a configuração de crime administratif ou abuso de poder político.
O caso deve seguir para instâncias superiores com possibilidade de abertura de Processo Administrativo Disciplinar (PAD), enquanto a Comissão da Sindicância já encaminhou seu relatório à Corregedoria Geral sem ainda definir se haverá ou não punição formal ao ex-presidente.



