O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) firmou acordo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para viabilizar a votação do fim da escala 6x1 no Senado Federal, medida que visa assegurar ao petista vantagem numérica decisiva no segundo turno da campanha eleitoral de 2026, previsto para domingo (4).
Contexto Institucional e Estratégia Política do Acordo
A negociação, inicialmente revelada pela na quarta-feira (30) e confirmada por Alcolumbre nesta sexta-feira (2), envolve a aprovação do fim da regra que restringe a votação em plenário ao máximo de seis senadores por bancada, um mecanismo que, até então, limitava a capacidade de mobilização parlamentar do governo. A expectativa central do Executivo é transformar essa alteração em uma 'bala de prata' para garantir a Lula uma vantagem de 5 a 7 pontos percentuais na abertura do segundo turno, conforme projetado pela campanha petista.
Nos bastidores, fontes próximas ao Palácio do Planalto indicam que o objetivo vai além da mera contagem de votos: a medida visa antecipar um cenário em que Lula, ao chegar ao segundo turno com vantagem clara, desestimula possíveis intervenções externas, como declarações ou ações concretas do governo dos Estados Unidos em favor de Flávio Bolsonaro (PL), candidato do PL.
A aprovação do fim da escala 6x1 pode garantir a Lula uma vantagem de 5 a 7 pontos percentuais no início do segundo turno.
Repercussão Institucional e Desafios na Implementação
O acordo conta com apoio tácito de setores do próprio Senado, embora Alcolumbre tenha destacado que a votação dependerá de consenso político e da tramitação procedural na Casa, com expectativa de debate acirrado nas comissões pertinentes durante a próxima semana. A pressão sobre os senadores aumentará conforme o calendário eleitoral se aproxima, com aliados do governo pressionando para que a matéria seja incluída no plenário antes do feriado prolongado de Semana Santa.
A estratégia reflete uma aposta de alto risco e alto retorno: enquanto o governo busca consolidar sua liderança com uma vitória clara nas urnas, enfrenta resistência de bancadas regionais e independentes que temem perder autonomia legislativa. O próximo passo decisivo está na comissão mista da Câmara e no plenário do Senado, onde a aprovação dependerá da capacidade de Alcolumbre de articular votos sem comprometer a estabilidade institucional.



