Pedro Alliana tomou posse como presidente interino do Paraguai na noite desta sexta-feira (6), pouco depois da aprovação do impeachment de Santiago Peña pelo Senado. A votação para a destituição do agora ex-presidente terminou com 44 votos a favor e uma abstenção.
A crise teve início com o fechamento do banco Ueno, pertencente ao Grupo Vázquez, na terça-feira (3), após o Banco Central do Paraguai iniciar um processo de liquidação ao identificar um déficit de solvência ligado a empréstimos para empresas vinculadas. A instituição concentrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social, e atendia aproximadamente 3 milhões de clientes.
Peña, economista que assumiu o governo em 2023, foi acionista do grupo proprietário do banco até março do ano passado. A oposição o acusou de conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e encobrimento institucional pelo Banco Central.
Durante a sessão na Câmara dos Deputados na quinta-feira (5), a deputada da oposição Rocío Vallejo declarou: “Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente... o senhor é a origem desse monstro que criou”. Na mesma data, os deputados rejeitaram a destituição do então vice-presidente Alliana.
Em publicação na rede social X, Peña afirmou que os responsáveis pelas irregularidades responderão perante a Justiça, sem exceções, e pediu que os setores políticos colocassem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse. Ele também promulgou uma lei para permitir que os poupadores do Ueno recuperem seu dinheiro em menos tempo.



