O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), da Força Aérea Brasileira, apontou três áreas próximas ao Aeroporto Internacional de Brasília que podem atrair aves e elevar o risco de colisões com aeronaves: o Zoológico de Brasília, a Unidade de Recebimento de Entulho (URE) e a Central de Abastecimento do Distrito Federal (Ceasa-DF). Os locais estão dentro da Área de Segurança Aeroportuária (ASA), que abrange um raio de 20 quilômetros a partir do centro da maior pista do aeroporto, onde o uso e a ocupação do solo devem seguir restrições para evitar atividades que atraiam animais.
O documento foi revisado em outubro deste ano, após um avião da Latam colidir com aves durante a decolagem no aeroporto, em 29 de julho. O relatório destaca o Zoológico de Brasília pela elevada capacidade de atrair espécies que oferecem riscos à aviação. Somente no primeiro semestre de 2026, o Aeroporto de Brasília registrou 52 colisões com aves, sendo seis com danos às aeronaves, em um período com 25.639 decolagens.
Segundo o Cenipa, o terminal ocupa a segunda posição entre os aeroportos brasileiros com mais ocorrências e a sexta em registros com danos. Em 2025, as colisões com aves passaram de 108 para 147, aumento de 36%, enquanto as ocorrências com danos às aeronaves subiram de oito para 18, crescimento de 125%. Apesar disso, na comparação entre os primeiros semestres de 2025 e 2026, houve redução de 29% na taxa de colisões por 10 mil ciclos de operação e de 50% na taxa de ocorrências com danos.
No Brasil, foram registradas 989 colisões com aves envolvendo aeronaves de empresas aéreas brasileiras no primeiro semestre deste ano, das quais 14% causaram danos. As fases de pouso e aproximação concentraram 58% das ocorrências, enquanto os procedimentos de decolagem e subida representaram 32% dos registros.
A Lei nº 12.725/2012 estabelece regras que proíbem ou condicionam atividades que atraem animais nessas áreas, mas segundo o Cenipa a legislação ainda depende de regulamentação para definir fiscalização, avaliação dos riscos e apuração de infrações. As discussões começaram em 2013, mas o decreto ainda não foi publicado; a minuta aguardava assinatura do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima para continuar os trâmites.
O relatório aponta que a Inframerica só pode realizar ações educativas e de conscientização fora dos limites do aeroporto, cabendo às autoridades públicas as intervenções nos locais identificados. A empresa informou que realiza monitoramento e controle da fauna, incluindo acompanhamento da roçagem, manejo de animais, aplicação agropecuária, monitoramento e controle de ninhos, reuniões da Comissão de Gerenciamento do Risco da Fauna e seminários sobre o tema.
No primeiro semestre deste ano foram realizadas 893 ações de afugentamento, totalizando 3.364 minutos de monitoramento, utilizando veículos, sirenes, buzinas e cães de trabalho. O documento cita ainda a elaboração do Guia para Gerenciamento de Risco da Fauna nas Imediações de Aeródromos, desenvolvido pela Secretaria Nacional de Aviação Civil em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina; o guia está em fase final e ainda será disponibilizado ao público.



