O delegado Leandro Almada, diretor de Inteligência da Polícia Federal, foi afastado do cargo por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, em decisão que reforça o caráter institucional da apuração sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco e a investigação em curso contra o ex-ministro do Meio Ambiente de Jair Bolsonaro, Ricardo Salles. O afastamento ocorre após a nomeação de Almada como superintendente da PF no Amazonas em 2023, substituindo Alexandre Saraiva, e antecede o indiciamento dos irmãos Chiquinho e Domingos Brazão, suspeitos de envolvimento no crime, com base em colaboração premiada firmada com Ronnie Lessa.
Contexto Institucional e Desenvolvimento das Investigações
O afastamento de Leandro Almada, que assumiu a direção de Inteligência da Polícia Federal após passagem destacada na investigação do homicídio de Marielle Franco — ocorrido em 2018 e ainda sob análise por obstrução de justiça — foi determinado com base em decisão técnica do ministro André Mendonça, que entende que sua permanência no cargo poderia comprometer a isonomia das investigações em curso.
Além do envolvimento direto com o caso Marielle Franco, Almada também participou ativamente da representação enviada pelo então superintendente da PF no Amazonas, Alexandre Saraiva, ao STF para abertura de inquérito contra o ministro do Meio Ambiente de Bolsonaro, Ricardo Salles, evidenciando sua atuação estratégica no combate à impunidade em fatos de alto impacto político e institucional.
A PF indiciou os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão após a colaboração premiada de Ronnie Lessa, revelando nova fase decisiva na investigação do assassinato da vereadora Marielle Franco.
Repercussão Jurídica e Desdobramentos Institucionais
A decisão de suspender Leandro Almada foi recebida com equilíbrio por órgãos da segurança pública, que destacam a necessidade de preservar a credibilidade institucional diante de investigações sensíveis e eventuais pressões políticas, O Ministério Público Federal já sinalizou a continuidade das investigações sobre o caso Marielle Franco, enquanto o STF aguarda manifestação formal sobre a admissibilidade das provas obtidas sob coordenação anterior de Almada no Amazonas.
Especialistas apontam que o afastamento pode gerar impacto na condução futura da PF no Amazonas e na dinamização de operações sigilosas relacionadas a organizações criminosas com conexões políticas ou ambientais.
A próxima etapa inclui a designação de novo dirigente para a Diretoria de Inteligência (DIN) e a consolidação dos indícios contra os Brazões, que podem culminar em julgamento oral no STF ou em acordo judicial dependendo da colaboração efetiva.



