O Banco Master, por meio de seu sócio majoritário Daniel Vorcaro, assumiu o controle da em 2018 e, ao longo de cinco anos, pagou ao jornal R$ 516.441,60 em publicidade — valor que representa 2,58% do total de R$ 20 milhões transferidos ao — enquanto seus intermediários negociavam diretamente com o diretor de redação Sérgio Dávila para adiar e modificar uma reportagem investigativa sobre o banqueiro.
Contexto Institucional e Procedimentos de Transparência na Redação
A apuração realizada pelo revelou que Daniel Vorcaro recebeu R$ 1 milhão do gestor de crise Guilherme Barros com o objetivo explícito de impedir a publicação e suavizar o conteúdo de uma reportagem sobre sua figura, coordenada pelo diretor de redação da Folha Sérgio Dávila, conforme comprovado por mensagens trocadas entre os interlocutores e documentação financeira apresentada.
Nos corredores da redação folhaína, a prática institucional exige que encontros oficiais entre autoridades e jornalistas sejam informados na coluna Painel, última nota da seção dedicada à cobertura de eventos institucionais, mas no caso concreto o encontro entre Dávila e Vorcaro foi solicitado em segredo por Barros para que não houvesse registro público da negociação.
Esse episódio configura uma quebra clara da ética editorial da Folha, que historicamente manteve protocolo rigoroso de transparência em suas reportagens e adesão ao princípio de não suprimir ou inserir informações que alterem o sentido da notícia, conforme estabelecido em seu manual interno.
O Banco Master pagou R$ 516.441,60 em anúncios à Folha ao longo de cinco anos, representando 2,58% do total de R$ 20 milhões transferidos por Daniel Vorcaro ao
Repercussão Jurídica e Compromisso com a Ética Editorial
Em comunicado oficial emitido pela direção da Folha, a instituição informou que a reportagem questionada não foi 'segurada' porque encontrava-se em fase final de apuração e revisão finalística, rejeitando as alegações de interferência externa e afirmando que todas as decisões editoriais são soberania técnica dos profissionais da redação.
A Justiça Federal já está analisando representação do Ministério Público Federal sobre possível violação dos princípios constitucionais da isonomia e da livre divulgação do pensamento jornalístico, enquanto o Conselho Federal de Classe (CFJ) aciona a categoria para apurar suposto descumprimento do Código de Ética Profissional.
Diante do escândalo, a direção da Folha anunciou a suspensão imediata das relações comerciais com o Grupo Master e o início de auditoria independente para verificar eventuais outras irregularidades nas relações entre jornalismo e publicidade.
O próximo passo inclui a convocação de uma reunião extraordinária do Conselho Editorial para avaliar medidas disciplinares contra os envolvidos na negociação ilícita.



