Em um movimento estratégico que redefine o tabuleiro eleitoral do Paraná, o governador Ratinho Jr. (PSD) suspendeu temporariamente o exercício de seu mandato na terça-feira (15), transferindo o foco para a campanha do aliado Sandro Alex (PSD) e intensificando o confronto com o senador Sérgio Moro (PL-PR).
Contexto Institucional e Estratégia Política da Licença
A licença do governador foi formalmente concedida por meio de comunicação oficial da Secretaria de Governo do Estado, permitindo que Darci Piana (PSD), vice-governador, assuma interinamente as funções executivas até o término do segundo turno das eleições, conforme previsto no Regimento Interno do Poder Executivo Estadual. A decisão, tomada após intensas negociações internas no PSD, visa consolidar o apoio logístico e financeiro de Ratinho Jr. À chapa de Alex, enquanto o senador Moro, por sua vez, tem utilizado nas redes sociais e comícios regionais a imagem de seu antigo papel como ministro da Justiça para questionar a 'falsa aliança' entre Ratinho e Alex.
Além da estratégia de transferência de votos, Ratinho Jr. Aproveitou seu direito de resposta no horário eleitoral para rebatizar publicamente a associação entre seu nome e o senador, divulgando um vídeo datado de 2019 — quando Moro ocupou a pasta da Justiça — para evidenciar que as críticas do parlamentar refletem meras posições políticas anteriores, não atuais vínculos programáticos.
Essa movimentação marca um momento inédito na dinâmica política paranaense, onde o chefe do Executivo estadual deixa o cargo para atuar diretamente na campanha de um candidato a vice-governador, sinalizando uma ofensiva de campo sem precedentes no cenário eleitoral brasileiro.
Ratinho Jr. licenciou-se do cargo para reforçar a campanha de Sandro Alex e confrontar diretamente o senador Sérgio Moro na corrida pela liderança do Paraná.
Repercussão Política e Desdobramentos no Cenário Eleitoral
A Assessoria da Campanha de Moro ainda não emitiu manifestação oficial sobre as acusações de 'falsa aliança', embora fontes próximas ao senador indiquem que a estratégia jurídica para contestar o uso do direito de resposta está em andamento, com foco em preservar a imagem institucional do parlamentar. Paralelamente, analistas políticos apontam que a ausência do governador nos palcos oficiais pode fragilizar a coordenação administrativa do Estado nos próximos meses, especialmente em áreas críticas como segurança pública e infraestrutura.
Especialistas em ciência política alertam que essa divisão dentro do PSD — entre o foco em Sandro Alex e o embate com Moro — pode gerar fissuras na legenda, especialmente se os resultados eleitorais não atenderem às expectativas de aliança estratégica, colocando em xeque a unidade partidária rumo ao segundo turno.
A expectativa é que, após o segundo turno, Ratinho Jr. Retome suas funções caso a chapa vencedora seja confirmada, mas enquanto isso, Darci Piana terá que equilibrar a gestão estadual com o papel simbólico de representante institucional do governo em exercício.



