Em operação coordenada entre a Polícia Federal, a Controladoria-Geral da União e com apoio técnico da Receita Federal, dois suspeitos foram detidos em flagrante após a retirada de R$ 2,5 milhões em espécie de uma agência do Banpará, localizada no bairro do Telégrafo, em Belém, no dia 16 de abril.
Contexto Institucional e Investigação de Desvio de Recursos Públicos
A ação conjunta, deflagrada por volta do meio-dia sob coordenação da Superintendência da Polícia Federal no Pará, ocorreu após monitoramento de uma caminhonete Ford Ranger, registrada em nome de Marco Antônio de Sousa Coelho, pai dos candidatos João Coelho (PDT) e Adriano Coelho (MDB), que seguiam até a agência bancária na avenida Senador Lemos; os suspeitos, identificados como João Carlos Ruy Seco Gemaque e Rubens Lima Teixeira, foram surpreendidos após a apreensão de caixas contendo o montante em cédulas, sendo este último um ex-investigador da Polícia Civil do Pará que portava arma calibre.40 e resistiu à abordagem com recurso a um dispositivo elétrico incapacitante.
O caso se insere no amplo contexto de suspeita de desvio de verbas públicas destinadas à educação, especificamente contratos firmados entre a Secretaria de Educação do Pará e empresas familiares dos políticos investigados, com destaque para a Lastro Projetos e Construção Civil Ltda., controlada por Diana Helena Morais Albuquerque Coelho, mãe dos irmãos, e a Marco Coelho Serviços Ltda., sob gestão do pai, que receberam repasses superiores a R$ 371 milhões entre 2016 e 2026, incluindo precatórios do Fundef.
Mais de R$ 2,5 milhões em espécie foram retirados ilegalmente de uma agência bancária em Belém, evidenciando esquema suspeito de financiamento irregular de campanhas eleitorais com recursos públicos da educação.
Repercussão Jurídica e Desdobramentos Imediatos
O s dois detidos foram submetidos à audiência de custódia por videoconferência e permaneceram à disposição da Justiça Eleitoral do Pará, respondendo pelos crimes de associação criminosa, peculato, lavagem de capitais, corrupção eleitoral, porte ilegal de arma e resistência à autoridade.
Enquanto os advogados dos investigados ainda não se manifestaram publicamente, o Ministério Público Eleitoral e a CGU sinalizam a necessidade de ampla apuração sobre a origem exata dos recursos apreendidos e eventuais vínculos diretos com as movimentações eleitorais ou contratos da Seduc.



