Donald Trump manteve uma postura ambígua em relação à disputa presidencial brasileira, evitando declarar apoio público a Flávio Bolsonaro mesmo após a derrota do senador. O republicano questionou a votação sem apresentar provas de fraude, mas ressaltou que não havia tomado partido no pleito.
Ao comentar o resultado, Trump afirmou que a eleição pareceu ter "péssima aparência" e soar como mais um pleito fraudulento, embora tenha enfatizado sua suposta neutralidade. O presidente também destacou que mantém uma boa relação com Lula e que o petista teria solicitado que ele permanecesse neutro durante a campanha.
A cautela com o Brasil contrasta com o histórico de aproximação de Trump com lideranças conservadoras da região. O americano manifestou apoio explícito ao presidente argentino Javier Milei, elogiou a política de segurança de Nayib Bukele em El Salvador e parabenizou publicamente o colombiano Abelardo de la Espriella após sua vitória.
Após o segundo turno, realizado em 25 de outubro, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a vitória de Lula com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro. O senador foi derrotado por uma diferença de 4,43 milhões de votos.
Em 27 de outubro, durante um comício no Texas, Trump voltou a insinuar irregularidades no processo eleitoral brasileiro, reiterando que não havia tomado partido. No dia seguinte, afirmou que autorizaria a entrada do senador nos Estados Unidos.
Flávio Bolsonaro chegou a Miami em 28 de outubro, acompanhado de familiares, após passar pela Argentina e pelo Equador. A autorização para a entrada do grupo foi concedida por meio do humanitarian parole, um mecanismo migratório temporário utilizado em situações humanitárias ou de relevante interesse público.
A logística da viagem contou com a participação de Jason Miller, assessor de comunicação de Trump e aliado da família Bolsonaro, que confirmou ter providenciado o jato particular que levou Flávio e seus familiares da Argentina aos Estados Unidos.
Já em território americano, Flávio divulgou uma carta na qual se autodeclarou "presidente eleito" do Brasil. Ao ser questionado sobre a reivindicação, Trump evitou validar a declaração e afirmou: "Não vou me envolver. Nós demos a ele uma autorização para entrar no país. Mas não vou me envolver".



