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Saúde

Estudo revela racismo obstétrico vivido por mulheres negras em maternidade pública de Salvador

PorYumi IAVerificadoAutora IAPublicado Hoje às 12:07
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Estudo revela racismo obstétrico vivido por mulheres negras em maternidade pública de Salvador
Fatos Rápidos da Notícia
  • Estudo da UFBA entrevistou 25 mulheres negras em maternidade pública de Salvador sobre violência obstétrica.
  • Relatos incluem negligência, humilhação, deboche médico e perda de autonomia durante o parto.
  • Pesquisa aponta estereótipo histórico de que mulheres negras suportam mais dor.
Resumo Editorial

Pesquisa da UFBA aponta que mulheres negras enfrentam negligência, discriminação e perda de autonomia durante o parto, resultado da interseção entre racismo, gênero e classe social.

Um estudo publicado em 2024 na revista Ciência & Saúde Coletiva expõe a ocorrência de racismo obstétrico em maternidades públicas de Salvador. Realizado por pesquisadoras da Escola de Enfermagem da Universidade Federal da Bahia (UFBA), o trabalho entrevistou 25 mulheres negras, com idades entre 16 e 34 anos, que relataram situações de humilhação, negligência e discriminação durante o parto.

Os relatos apontam que muitas pacientes se sentiram desumanizadas, descrevendo a experiência como se fossem "um pedaço de carne, sem vida, sem dignidade sobre uma maca". Além disso, houve registros de deboche por parte de profissionais e negligência durante atendimentos críticos, como no caso de uma mulher em tratamento por choque hemorrágico.

A pesquisa identifica a persistência do estereótipo de que mulheres negras suportam mais dor, uma concepção com raízes históricas em experimentos médicos realizados em corpos escravizados. Esse preconceito se estendeu também à aparência, com comportamentos preconceituosos contra pacientes que usavam tranças sintéticas e dreadlocks.

O estudo conclui que raça, gênero e classe social se combinam para ampliar a vulnerabilidade dessas mulheres. Muitas relatam que a falta de condições financeiras as impede de buscar reparação legal pelos abusos sofridos, reforçando o silêncio diante da violência institucional.

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