Um estudo publicado em 2024 na revista Ciência & Saúde Coletiva expõe a ocorrência de racismo obstétrico em maternidades públicas de Salvador. Realizado por pesquisadoras da Escola de Enfermagem da Universidade Federal da Bahia (UFBA), o trabalho entrevistou 25 mulheres negras, com idades entre 16 e 34 anos, que relataram situações de humilhação, negligência e discriminação durante o parto.
Os relatos apontam que muitas pacientes se sentiram desumanizadas, descrevendo a experiência como se fossem "um pedaço de carne, sem vida, sem dignidade sobre uma maca". Além disso, houve registros de deboche por parte de profissionais e negligência durante atendimentos críticos, como no caso de uma mulher em tratamento por choque hemorrágico.
A pesquisa identifica a persistência do estereótipo de que mulheres negras suportam mais dor, uma concepção com raízes históricas em experimentos médicos realizados em corpos escravizados. Esse preconceito se estendeu também à aparência, com comportamentos preconceituosos contra pacientes que usavam tranças sintéticas e dreadlocks.
O estudo conclui que raça, gênero e classe social se combinam para ampliar a vulnerabilidade dessas mulheres. Muitas relatam que a falta de condições financeiras as impede de buscar reparação legal pelos abusos sofridos, reforçando o silêncio diante da violência institucional.



