Stephen Warnock, ex-defensor do Liverpool e da seleção da Inglaterra, revelou que escondeu do clube as crises convulsivas que sofreu durante a adolescência por receio de comprometer a carreira futebolística. O ex-jogador, atualmente com 44 anos, falou publicamente sobre o assunto pela primeira vez durante uma emissão da BBC Radio 5 Live.
O episódio aconteceu após uma entrevista com Matt Crooks, meio-campista do Hull City que vive com epilepsia. Warnock confessou: 'Tinha pavor de contar ao Liverpool pelo receio de que me dispensassem. Pensava que, se soubessem que tinha um problema de saúde, iam me mandar embora'.
O maior medo do atleta era sofrer uma crise durante um jogo ou treino. 'Nunca soube o que as desencadeava. Era isso que me aterrorizava', acrescentou. A primeira convulsão ocorreu quando ele ainda frequentava a escola e estava no computador; ele acordou em uma cama de hospital sem lembrar de nada.
Os colegas explicaram que ele havia sofrido uma convulsão e que foi necessária a intervenção de uma ambulância. Warnock admitiu ter sentido vergonha do episódio por não entender o que estava acontecendo. Posteriormente, sofreu uma nova crise em casa, o que levou à realização de exames médicos, incluindo tomografia computadorizada e ressonância magnética.
Os episódios prolongaram-se por cerca de três anos, mas Warnock garantiu que não voltou a sofrer qualquer crise desde os 14 anos. Ele afirmou: 'Tive a sorte de ultrapassar essa fase. Não precisei tomar medicação nem me preocupar com questões como conduzir um automóvel. É a primeira vez que falo realmente sobre isso'.
Apesar de não ter mais crises, Warnock reconheceu que continua com receio sobre a possibilidade de um novo episódio. Formado no Liverpool, pelo qual disputou 67 partidas na equipe principal, ele representou ainda Blackburn Rovers, Aston Villa e Leeds United, entre outros clubes, antes de encerrar a carreira em 2018.



