Em julho, o acém registrou queda de 3,90% no preço médio em supermercados paulistas, conforme o Índice de Preços de Supermercados da APAS e da Fipe, enquanto a China reduziu em 47% as importações de carne bovina brasileira, pressionando exportadores a limitar embarques em decorrência da proximidade da cota anual e da sobretaxa de 55% sobre o produto.
Contexto Institucional e Dinâmica das Cotas de Exportação
A análise do Índice de Preços de Supermercados, elaborado pela Associação Paulista de Supermercados em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, revelou que o recuo no preço do acém — principal corte popular — foi o mais expressivo entre os produtos avaliados, acompanhado de reduções moderadas no alcatra (2,77%), coxão mole (2,45%) e contrafilé (1,76%), conforme os dados coletados em estabelecimentos de grande porte da região metropolitana de São Paulo.
A diminuição nas exportações para a China, que atingiu 85,8 mil toneladas em julho — cifra 47% inferior à registrada no mesmo mês do ano anterior — reflete uma estratégia de contenção por parte dos frigoríficos diante da capilaridade da cota anual de 1,106 milhão de toneladas estabelecida pelo governo chinês e da imposição de uma sobretaxa adicional de 55% sobre a carne bovina brasileira além da tarifa importação convencional.
O preço do acém caiu 3,90% em julho, enquanto a China reduziu em 47% as importações brasileiras de carne bovina.
Repercussão Setorial e Desafios para o Setor Exportero
Autoridades do Ministério da Agricultura e do Itamaraty reiteraram que a limitação nos embarques visa evitar o acúmulo excessivo na cota, preservando a ocupação regular do mercado chinês e mitigando impactos fiscais decorrentes da sobretaxa, embora reconheçam a necessidade de ajustes operacionais por parte dos exportadores.
Especialistas apontam que a redução nos volumes enviados ao exterior pode fortalecer a reposição de estoques domésticos, aliviando pressões inflacionárias no varejo e possibilitando promoções mais agressivas por parte das redes, enquanto novos equilíbrios entre oferta interna e demanda externa devem definir os rumos dos próximos meses.



