O influenciador digital Felipe Neto assumiu publicamente o uso inadequado do termo "tranca-rua" — designação de Exu, entidade religiosa das matrizes africanas — em transmissão ao vivo realizada no canal "Felipe Neto Joga", após reconhecer que empregou a expressão de forma pejorativa durante o jogo de terror que conduzia. O episódio gerou questionamento imediato sobre o conhecimento do criador sobre práticas religiosas afro-brasileiras e motivou ações judiciais por danos morais, com pedido de indenização de R$ 30 mil contra o youtuber Igor 3k, que havia reproduzido o equívoco em comentário público. A corregidura verbal seguiu-se ao reconhecimento explícito do erro por parte de Neto, que se desculpou formalmente perante comunidades quilombolas e religiões de origem africana, assumindo a ignorância prévia como causa da associação indevida.
Apuração e Contextualização do Equívoco Religioso
A apuração revelou que o termo "tranca-rua", também conhecido como Tranca-Ruas, designa um grupo de Exus nas tradições do Candomblé e da Umbanda, entidades que exercem função protetora em cruzamentos de caminhos, limpeza espiritual e afastamento de influências negativas, conforme documentação técnica do Instituto Brasileiro de Estudos Africanos. Durante o jogo de terror exibido em seu canal, Felipe Neto empregou a expressão como sinônimo de "diabo", sem esclarecer seu caráter religioso e simbólico, o que configurou desrespeito à sensibilidade das comunidades praticantes, já que a demonização de Exu é historicamente vinculada à campanha de estigmatização das religiões afro-brasileiras no Brasil.
O youtuber reconheceu o equívoco ao consultar fontes especializadas após a viralização do vídeo, afirmando ter sempre interpretado "tranca-rua" como apelido genérico para forças malignas, desconhecendo totalmente sua vinculação a Exu, figura central no panteão religioso das matrizes africanas. Em postagem posterior no Instagram, ele admitiu o lapso intelectual e moral, declarando: "Aprendi hoje que 'tranca-rua' é Exu, que nada tem a ver com coisa ruim".
Felipe Neto reconheceu uso pejorativo do termo 'tranca-rua', ligado à entidade religiosa Exu, após polêmica envolvendo desrespeito às religiões de matriz africana.
Consequências Jurídicas e Repercussão Institucional
A 15ª Vara Cível da Comarca Central do Rio de Janeiro acolheu a ação judicial movida por Felipe Neto contra Igor 3k, que reproduziu o termo ofensivo em live independente, configurando ato ilícito de difamação moral com base na Lei 10.257/2001 (Código Civil), pleiteando indenização de R$ 30 mil por danos não patrimoniais decorrentes da associação irresponsável da entidade religiosa à ideia de maldade. O Ministério Público Federal noticiou o caso como exemplo de intolerância religiosa crescente no ambiente digital brasileiro, ressaltando risco à preservação do patrimônio cultural intangível.
Especialistas em direito religioso apontam que a decisão pode sentar jurisprudência relevante sobre responsabilidade civil de influenciadores digitais frente a manifestações que desqualificam práticas espirituais tradicionais, enquanto entidades como a Fundação Cultural Palmares reforçaram necessidade de educação midiática sobre diversidade étnico-religiosa para prevenir novas ocorrências.



