A Polícia Federal concluiu que a estruturação fraudulenta de operações com o Banco Master pela BRB movimentou recursos equivalentes a R$ 17,5 bilhões, envolvendo 25 aprovações irregulares de carteiras de varejo que, segundo laudo pericial, careciam de lastro comprovado e apresentavam indícios claros de deliberação deliberada por dirigentes do banco.
Contexto Institucional e Evidências da O peração Fraudulenta
O inquérito da PF revelou que os dirigentes Dario O swaldo Garcia Júnior e Luana de Andrade Ribeiro, responsáveis diretos pela Diretoria Colegiada (Dicol) do BRB, assinaram pareceres técnicos e votaram favoravelmente a 25 operações de compra de carteiras de varejo entre o BRB e o Banco Master, totalizando R$ 17,5 milhões. A análise do laudo identificou que 22 das 84 compras analisadas - representando R$ 7,63 bilhões - foram liquidadas financeiramente antes da conclusão obrigatória dos pareceres técnicos das áreas de Risco, Planejamento, Contabilidade e Controladoria do BRB, impedindo ajustes ou bloqueios à operação após o desembolso.
O s registros apontam ainda que os valores das operações foram fixados exatamente em R$ 750 milhões em 21 dos casos analisados, estratégia que permitiu manter a aprovação colegiada da Diretoria Colegiada sem submeter as aquisições ao Conselho de Administração (Consad), conforme exigência regulatória para transações acima de R$ 750 milhões.
O total de R$ 17,5 bilhões fraudados representa mais da metade do valor total movimentado em 181 operações analisadas pelo núcleo pericial da PF.
Repercussão Jurídica e Consequências Governamentais
A PF formalizou a responsabilização de sete membros da Dicol do BRB, dos quais dois atuaram diretamente nas operações fraudulentas e nas votações unânimes que ignoraram alertas diários sobre risco de liquidez e insubsistência dos créditos, com base em análises técnicas que comprovavam a ausência de lastro nas Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) cedidas por intermediárias como a Tirreno.
Especialistas apontam que a prática configura crime contra o sistema financeiro nacional e pode gerar sanções penais graves, além de comprometer a estabilidade do mercado de crédito, com efeitos que se estendem para além do âmbito corporativo.



