A B3 acionou o circuit breaker nos ativos na manhã desta segunda-feira (26), em razão da alta volatilidade registrada no mercado brasileiro de ações após os resultados das eleições de domingo (25).
A reação do mercado financeiro veio na esteira da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), resultado que, segundo analistas, não era o esperado por grande parte dos investidores.
Em entrevista ao Live CNN, Danilo Igliori, economista-chefe da Nomad, avaliou que as reações do mercado não chegam a ser surpresa diante do contexto. "Se o resultado eleitoral, de certa forma, não estava esperado, acho que as reações do mercado não chegam a ser surpresa", afirmou.
Preocupação fiscal e incerteza dominam o mercado
Segundo Igliori, o principal fator por trás da turbulência é a percepção de que o governo reeleito não irá endereçar adequadamente as questões fiscais. "Tem uma preocupação muito grande no mercado com a trajetória da dívida pública, e a tese de hoje é que temos poucas chances de resolver esses problemas no próximo governo", explicou.
Para o economista, "o nome do jogo nos próximos dias é incerteza, que no mercado se traduz em volatilidade".
Igliori destacou ainda que, enquanto não houver mais informações sobre quem ocupará os ministérios ligados à economia e quais serão os planos do novo governo, os mercados devem continuar passando por momentos bastante turbulentos. A definição da equipe econômica foi apontada como elemento central para a estabilização do cenário.
Dólar, bolsa e juros futuros sob pressão
No campo dos ativos, o economista descreveu uma ampla reprecificação em curso. "Tudo indica que a gente vai ter quedas bem acentuadas na bolsa. O dólar deve andar bastante", disse Igliori, acrescentando que, até o momento da entrevista, já havia mais de 12% de desvalorização do real frente ao dólar americano. Os juros futuros também foram registrados em alta expressiva.
Questionado sobre os desafios que o governo enfrentará nos próximos quatro anos, Igliori disse: "Não faltam desafios". Além do endividamento público, ele citou o alto endividamento privado — tanto de empresas quanto de famílias — e as dificuldades para manter as taxas de crescimento econômico.
"O mercado não está muito otimista. Agora é a hora do governo vir e dizer o que vai ser feito o mais rápido possível", concluiu.
Para as próximas horas, a tendência apontada pelo economista é de continuidade da volatilidade, com queda no valor das ações, desvalorização do real frente ao dólar e alta nas taxas de juros futuros.



