No segundo semestre de 2026, o ambiente econômico brasileiro enfrenta intensas pressões decorrentes da política monetária restritiva implementada pelo Banco Central, manifestando-se por meio do aumento significativo da inadimplência e do crescimento acelerado dos pedidos de recuperação judicial, conforme evidenciado pelo Monitor RGF-Bizdoc.
Contextos Institucionais e Evolução do Cenário de Recuperação Judicial
A análise do Monitor RGF-Bizdoc revela crescimento de 25% no número de empresas em recuperação judicial no segundo trimestre de 2026 em comparação ao mesmo período de 2025, sinalizando um agravamento estrutural na inadimplência corporativa no país. Esse cenário é resultado da combinação entre a política monetária contracíclica adotada pelo Banco Central, com juros básicos em patamares elevados desde o segundo semestre de 2025, e fatores externos como pressões inflacionárias persistentes e desaceleração do PIB real. Nesse contexto, Lucas Pena, analista da Pact, identificou que as recuperações judiciais representam um mecanismo estratégico de reestruturação protegido pela justiça, diferentemente da falência, que permite às empresas reorganizarem suas dívidas sob supervisão judicial sem a interrupção total das atividades.
Antecedentemente, a Casas Bahia já havia ingressado em um processo de recuperação extrajudicial em 2024, mas a persistência das condições macroeconômicas adversas e a insuficiência da reestruturação inicial levaram à formalização da recuperação judicial no início de 2026. A analise de Pena evidencia que três grandes processos estão em andamento simultaneamente — Ambipá, Tok&Stok com Mobly e Casas Bahia —, todos marcados por desafios específicos de gestão financeira e exposição setorial, especialmente no varejo.
O Monitor RGF-Bizdoc registrou crescimento de 25% no número de empresas em recuperação judicial no segundo trimestre de 2026 frente ao mesmo período do ano anterior.
Repercussão Institucional e Perspectivas para o Mercado de Crédito
Lucas Pena ressaltou que o aumento nos pedidos de recuperação judicial reflete, sobretudo, incertezas macroeconômicas e a ausência de planejamento estratégico robusto nas empresas frente a choques externos como guerras comerciais e volatilidade cambial. Ele destacou que os credores bancários têm demonstrado postura cautelosa diante dos balanços apresentados nas solicitações judiciais, muitos dos quais com falhas na consistência dos dados ou ausência de auditoria independente. Essa postura tem levado as instituições financeiras a revisitar seus critérios de análise de crédito com maior rigor, especialmente em relação à capacidade real de pagamento e transparência fiscal.
Segundo o analista da Pact, embora o crescimento dos pedidos de recuperação judicial tenha gerado tensão no mercado de crédito, ele não prevê efeitos sistêmicos significativos no curto prazo. Para ele, as recuperações ainda são processos limitados a casos específicos e não indicam falência em massa. Ele citou empresas concorrentes da Casas Bahia, como Magazine Luiza, Amazon e Mercado Livre, que mantêm saúde financeira estável e não necessitam de reestruturação judicial, reforçando que a crise afeta principalmente aquelas com má gestão ou exposição excessiva a juros altos.



