Em meio à intensificação das hostilidades no O riente Médio, o Goldman Sachs projeta que o preço do petróleo pode ultrapassar a marca de US$ 120 por barril, impulsionado por um cenário de estresse máximo decorrente da guerra prolongada e da drástica redução do fluxo marítimo pelo Estreito de O rmuz, onde a movimentação diária caiu de 19 a 20 milhões para 4 a 9 milhões de barris, com normalização prevista apenas após 2027. O dado foi destacado pelo diretor do CBIE, Pedro Rodrigues, após análise de relatório técnico que aponta para uma média anual esperada entre US$ 80 e US$ 85 em 2026 e 2027, representando alta de 30% a 40% em relação aos níveis pré-conflito.
Contexto Estratégico e Análise de Risco no Mercado Energético
A projeção do Goldman Sachs foi fundamentada em dados técnicos que revelam a fragilidade das rotas de transporte marítimo no O riente Médio, especialmente após ataques aéreos e contra-ataques militares que reduziram drasticamente o tráfego no Estreito de O rmuz, único corredor estratégico para cerca de um terço do petróleo global. Segundo o relatório citado por Rodrigues, a interrupção parcial das operações logísticas e o bombardeio de oleodutos utilizados pela Arábia Saudita agravaram a escassez, enquanto os estoques globais permanecem em níveis historicamente baixos, criando um ambiente propício à volatilização dos preços.
O cenário descrito pelo especialista considera não apenas a continuidade do conflito armado, mas também a possibilidade de escaladas regionais que poderiam transformar fatores exógenos — como ataques direcionados à infraestrutura petrolífera — em endógenos, afetando permanentemente a oferta. Nesse sentido, Rodrigues enfatiza que o mercado já precificou a persistência da guerra, afastando expectativas de resolução imediata e reforçando a necessidade de adaptações estratégicas por parte de governos e agentes econômicos.
O preço do petróleo pode superar US$ 120 por barril em cenário de estresse máximo, com projeção de média anual entre US$ 80 e US$ 85 em 2026 e 2027.
Repercussão Institucional e Desdobramentos Econômicos
Autoridades reguladoras e órgãos internacionais já iniciaram diálogos para avaliar medidas emergenciais, enquanto entidades privadas reavaliam planos de investimento diante da instabilidade prolongada. O próprio CBIE ressalta que a interrupção prolongada do fluxo no Estreito de O rmuz pode demandar reestruturações logísticas complexas, com impacto direto nos custos de importação e na cadeia produtiva brasileira.
Especialistas apontam que a manutenção dos preços elevados nos próximos dois anos deve gerar pressão inflacionária persistente, especialmente nos setores de transporte, produção industrial e agronegócio, além de estimular políticas monetárias mais restritivas. O mercado global permanece em alerta para novos episódios de tensão geopolítica que possam acelerar a volatilidade ou confirmar a trajetória projetada.



