A menos de 100 dias para a implementação efetiva da reforma tributária, que consolida o IBS e a CBS em um novo modelo de tributação sobre consumo, 34% das médias e grandes empresas brasileiras ainda não elaboraram projeção sobre seu impacto no fluxo de caixa, segundo avaliação da ROIT, colocando em evidência o descompasso entre a urgência normativa e a preparação institucional.
Preparação Institucional e Desafios da Análise de Impacto Financeiro
A pesquisa da ROIT, conduzida pelo vice-prespresidente executivo Ricardo de Holanda Janesch, revelou que uma parcela significativa das empresas brasileiras mantém-se vulnerável à transição para o novo regime tributário, ao negligenciar a quantificação de seus efeitos sobre o capital de giro e as demonstrações financeiras. Apesar da relevância atribuída à adequação tecnológica e à atualização de sistemas, o levantamento aponta que a ausência de projeção adequada compromete a capacidade de gestão proativa dos fluxos operacionais, expondo as organizações a riscos de ineficiência na precificação e à pressão sobre liquidez.
O contexto histórico da reforma tributária evidencia um esforço estrutural para simplificar o sistema arrecadatório nacional, com a CBS substituindo o PIS/Cofins e o IBS subsumindo outros tributos incidentes sobre consumo. Nesse cenário, a complexidade na apuração e na gestão dos créditos tributários demanda atenção redobrada por parte dos gestores, especialmente em empresas com estruturas de dados ainda fragmentadas ou mal integradas.
34% das empresas brasileiras ainda não realizaram projeção sobre o impacto da reforma tributária no fluxo de caixa
Repercussão Estratégica e Implicações para o Primeiro Trimestre de 2027
Segundo Ricardo de Holanda Janesch, os principais riscos para as organizações que não se prepararem incluem a precificação inadequada e, sobretudo, a deterioração do fluxo de caixa, já que 93% das empresas analisadas apresentam impacto negativo no capital de giro. O primeiro trimestre de 2027 deve concentrar maior demanda por liquidez devido ao pagamento imediato dos tributos antes da compensação dos créditos, agravado pelo cenário de juros altos.
Janesch enfatiza que a preparação deve priorizar três frentes: mensuração dos impactos financeiros, saneamento da base de dados tributária e capacitação de equipes técnicas para garantir a correta configuração dos sistemas perante os novos parâmetros da CBS.



