A notícia do falecimento de Maria Elisa Costa, única filha do arquiteto Lucio Costa, aos 91 anos, no dia 25 de agosto de 2024, abala o cenário arquitetônico e cultural do Distrito Federal, onde ela dedicou décadas à consolidação do projeto urbanístico de Brasília e à preservação de seu legado patrimonial.
Contexto Histórico e Profissional da Trayetória Arquitetônica
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, decretou luto oficial de três dias em homenagem à arquiteta, sinalizando o reconhecimento institucional de sua contribuição para a memória coletiva e o desenvolvimento urbano da capital federal. Nascida em outubro de 1934 no Rio de Janeiro, Maria Elisa Costa formou-se em arquitetura pela Faculdade Nacional de Arquitetura da Universidade do Brasil em 1958, iniciando sua trajetória profissional no ano seguinte na Novacap, onde permaneceu até 1964, período crucial para a estruturação física e simbólica de Brasília. Sua atuação técnica e compromisso com a preservação do patrimônio culminaram em sua presidência do Iphan entre 2003 e 2004, cargo que consolidou sua autoridade no campo da proteção do patrimônio histórico-artístico brasileiro.
Além de seu papel na Novacap, Maria Elisa Costa ampliou sua atuação com estada no exterior, entre 1964 e 1968, no escritório de Bernard-Henri Zehrfuss em Paris, retornando ao Brasil para exercer funções em firmas especializadas como Projeto Arquitetos Associados e C&S Planejamento Urbano Ltda., entre 1968 e 1982. Na década de 1980, voltou-se ao debate sobre Brasília como assessora do secretário de Viação e O bras do DF e membro do Conselho de Arquitetura, Urbanismo e Meio Ambiente (CAUMA), órgão que antecedeu a atual Secretaria de Estado de Urbanismo e Habitação. Seu envolvimento na Comissão Especial de Brasília do Iphan (1996-1998) e no Conselho Técnico de Preservação de Brasília (1999-2001) reforçou sua influência nas políticas de proteção ao projeto piloto da cidade planejada.
Maria Elisa Costa dedicou mais de seis décadas à preservação do projeto urbanístico de Brasília e à gestão do Iphan entre 2003 e 2004.
Repercussão Institucional e Legado Cultural
A morte da arquiteta foi imediatamente celebrada por instituições culturais e governamentais, com a governadora Celina Leão destacando seu papel como 'guardiã da memória arquitetônica' do Distrito Federal. A Associação Casa de Lucio Costa, que ela dirigia com foco na preservação do legado paterno, manifestou pesar pela perda de uma liderança essencial para a continuidade das iniciativas voltadas à memória nacional. Seu legado permanece materializado na vasta obra técnica que orientou projetos de restauração, zoneamento e paisagismo em áreas históricas sensíveis como o Eixo Monumental.
O falecimento ocorrido em agosto de 2024 reforça a urgência de se preservar o testemunho vivo dos profissionais que viveram a construção de Brasília, cujas experiências orientam políticas públicas atuais sobre urbanismo sustentável. Julieta, sua filha, assume parte da responsabilidade familiar diante do vácuo deixado pela perda dessa figura central na construção intelectual da capital federal.



