O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu nesta segunda-feira (28) a decisão do ministro Flávio Dino que havia autorizado o restabelecimento de publicações sobre Nossa Senhora Aparecida e Flávio Bolsonaro, revertendo temporariamente a ordem de retirada de conteúdos determinada pelo ministro André Mendonça do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que prevê multa diária de R$ 30 mil em caso de descumprimento.
Contexto Institucional e Decisões Judiciais em Conflito
A decisão de Fux, tomada após recurso da defesa de Flávio Bolsonaro, suspendeu os efeitos da derrubada promovida por Dino no dia anterior (27), restabelecendo provisoriamente a determinação de Mendonça que visava a remoção de publicações consideradas inverídicas e ofensivas, com base em interpretação de conteúdo que poderia influenciar a formação da vontade eleitoral nos arredores do primeiro turno das eleições presidenciais.
O embate entre os magistrados surgiu após a circulação de material nas redes sociais que vinculava grupos evangélicos à campanha bolsonarista na defesa da remoção de Nossa Senhora Aparecida da condição de Padroeira do Brasil, situação que foi inicialmente contestada pelo TSE e posteriormente revertida por Dino, quien argumentou ausência de referência nominal ao candidato no conteúdo retirado.
A decisão de Fux restabelece provisoriamente a determinação do TSE que prevê multa diária de R$ 30 mil em caso de descumprimento da retirada de conteúdos.
Repercussão Institucional e Desafios para a Tramitação Judicial
O presidente do TSE, Nunes Marques, manifestou preocupação com o que classificou como 'indevida sobreposição de competência' entre decisões individuais do STF e determinações do tribunal eleitoral, enviando ofício ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, para discutir ajustes na tramitação processual que evitam interferências na condução das eleições.
A CNBB rebateu as acusações de envolvimento na disseminação de informações sobre a suposta retirada de Nossa Senhora Aparecida da condição de Padroeira do Brasil, negando qualquer participação em campanhas ou atos que configurassem violação à liberdade religiosa ou ao debate público.



