A Câmara dos Deputados do Paraguai aprovou nesta quinta-feira (5) o impeachment do presidente Santiago Peña, com 78 votos a favor e nenhum contrário. A votação ocorreu em meio à crise provocada pelo fechamento do banco Ueno, de propriedade do Grupo Vázquez, que afetou milhões de pessoas. O Senado ainda precisa analisar a medida para que o processo seja concluído.
O banco Ueno teve suas atividades encerradas na terça-feira (3) depois que o Banco Central do Paraguai iniciou um processo de liquidação ao constatar um déficit nos índices de solvência da instituição, relacionado a empréstimos concedidos a empresas vinculadas. A instituição contava com aproximadamente 3 milhões de clientes e concentrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.
Santiago Peña, economista que assumiu o governo em 2023, foi acionista até março do ano passado do grupo proprietário do banco. A oposição acusa o presidente de conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e encobrimento institucional por parte do Banco Central. Durante a sessão, a deputada Rocío Vallejo declarou: “Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente... o senhor é a origem desse monstro que criou”.
Peña anunciou mais cedo que renunciará ao cargo, mas deputados da oposição quiseram manter a votação de impeachment para que ele não tenha foro privilegiado. Em publicação na rede social X, ele afirmou que os responsáveis pelas irregularidades responderão perante a Justiça, sem exceções. O presidente também promulgará uma lei que permitirá aos poupadores do Ueno recuperar seu dinheiro em menos tempo e pediu que setores políticos coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse.



