A avaliação negativa dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) alcançou 47%, o maior patamar da série histórica iniciada em 2019, conforme pesquisa Datafolha divulgada em 26/9, com crescimento de sete pontos percentuais em seis meses frente ao índice de 40% registrado em março, enquanto a avaliação positiva estabiliza em 18%, igual ao menor nível desde dezembro de 2019, com 31% considerando o trabalho da Corte regular e 4% sem opinião.
Contexto Institucional e Evolução dos Indicadores de Legitimidade
A pesquisa conduzida pelo Datafolha entre os dias 22 e 23 de setembro, com amostragem de 2.002 eleitores e margem de erro de dois pontos percentuais, evidenciou um contínuo desgaste na percepção da sociedade sobre a atuação da Suprema Corte, refletindo-se em um salto acentuado na avaliação negativa que ultrapassou a marca dos quase cinquenta por cento. Esse movimento ocorre num quadro de intensas polêmicas judiciais e debates sobre a autonomia e a postura ideológica dos magistrados, em um cenário político marcado por polarização e desgaste institucional.
Nos últimos seis meses, o STF viu seu capital simbólico submergir diante de questionamentos sobre decisões polêmicas, como a condenação de Eduardo Bolsonaro por difamação contra Tabata Amaral e a prorrogação da suspensão de multas da NR-1 para saúde mental, fatores que contribuíram para a erosão da confiança pública, já que apenas 31% dos entrevistados enxergam o trabalho do tribunal como regular.
O índice negativo de 47% representa o pior resultado da história recente do STF, superando marcas anteriores desde a criação da série estatística em 2019.
Repercussão Política e Desafios Jurídicos à Autonomia da Corte
A pesquisa revelou que a opinião sobre o STF é profundamente marcada por alinhamento partidário: enquanto 32% dos eleitores favoráveis ao presidente Lula consideram seu trabalho ótimo ou bom, apenas 6% dos apoiadores do senador Flávio Bolsonaro compartilham dessa visão, com 69% deles classificando a Corte como ruim ou péssima. Essa polarização reflete um cenário em que decisões judiciais são frequentemente instrumentalizadas pelo debate eleitoral, especialmente a perseguição política ao STF se intensificou com vazamentos de trocas de mensagens entre ministros e Daniel Vorcaro, proprietário do Master, cujas conversas geraram investigações internas e questionamentos sobre possíveis vieses na condução dos processos.
O s próximos passos incluem a análise do impacto das propostas legislativas que buscam limitar o alcance das decisões monocráticas do STF, bem como eventuais ajustes nos protocolos de comunicação institucional para reconquistar a confiança pública sem comprometer a independência constitucional.
O prazo de validade da pesquisa Datafolha é limitado à janela entre os dias 22 e 23 de setembro, após o qual os indicadores poderão sofrer variações significativas devido a novos fatos ou eventos políticos que alterem a percepção pública sobre o STF.



