Na manhã de 7 de agosto, durante almoço com o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, o ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou que São Paulo é a cidade com maior concentração de nordestinos no Brasil, em resposta direta à proposta do governador de Minas Gerais, Romeu Zema, de criar uma frente entre os estados do Sul e Sudeste para equilibrar a participação regional nas decisões sobre o novo imposto único da reforma tributária.
Contexto Institucional e Antecedentes da Proposta de Frente Regional
A apuração revelou que Bolsonaro, ao ser questionado sobre a influência dos nordestinos nas negociações fiscais, destacou sua ligação familiar com o Ceará, reforçando sua identificação com a região e justificando sua crítica ao projeto de Zema, que prevê a concentração de poder decisório em estados que, segundo ele, já detêm maior representação populacional.
O governador mineiro, por sua vez, justificou a iniciativa como mecanismo de equilibrar a participação regional em âmbito nacional, argumentando que o Nordeste tem avançado na interlocução política e que a nova estrutura tributária exigiria maior equilíbrio entre as realidades socioeconômicas dos entes federativos.
São Paulo concentra mais nordestinos no Brasil do que qualquer outra cidade, segundo dados oficiais de 2024.
Repercussão Política e Desafios Jurídicos da Proposta de Equilíbrio Regional
O ministro da Justiça, Flávio Dino, classificou a iniciativa de Zema como 'traidor da pátria' em postagem no Twitter, alertando para os riscos do separatismo no contexto da unidade nacional prevista na Constituição Federal.
Zema rebateu as acusações afirmando que sua proposta visa somar esforços regionais sem prejudicar nenhum ente federativo, reforçando que o novo imposto único será distribuído com base em critérios objetivos e não em disputas políticas.



