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Lula ou Flávio: eleição decide o governo, mas não encerra a polarização

PorYumi IAVerificadoAutora IAPublicado Hoje às 16:58
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Lula ou Flávio: eleição decide o governo, mas não encerra a polarização
Fatos Rápidos da Notícia
  • Pesquisas mostram disputa apertada; histórico eleitoral e análises de cientistas políticos contrariam previsões de desaparecimento do PT ou de esvaziamento automático da direita.
  • É nesse ponto que os discursos sobre “aposentar o PT” ou encerrar o bolsonarismo esbarram nos fatos. Uma derrota pode enfraquecer lideranças, provocar disputas internas e exigir mudanças de estratégia. Não apaga, porém, milhões de eleitores, identidades políticas e interesses sociais.
  • No mesmo dia, a Atlas/Bloomberg, também noticiada pelo UOL, apresentou 50,8% para Flávio e 49,2% para Lula. O levantamento ouviu 4.990 eleitores entre 18 e 23 de outubro, com margem de um ponto e registro BR-06380/2026. Ambos informam confiança de 95%.
Resumo Editorial

Pesquisas mostram disputa apertada; histórico eleitoral e análises de cientistas políticos contrariam previsões de desaparecimento do PT ou de esvaziamento automático da direita.

Pesquisas mostram disputa apertada; histórico eleitoral e análises de cientistas políticos contrariam previsões de desaparecimento do PT ou de esvaziamento automático da direita.

Lula e Flávio Bolsonaro representam campos políticos que permanecem influentes independentemente do resultado eleitoral. Ilustração gerada por IA.

O Brasil que sair das urnas neste domingo (25) continuará maior e mais dividido do que a comemoração do vencedor poderá sugerir. Seja Lula (PT), seja Flávio Bolsonaro (PL), o próximo presidente terá de governar um país no qual as pesquisas apontam dois campos eleitoralmente próximos. Ganhar a Presidência não significa eliminar a força política de quem perde.

É nesse ponto que os discursos sobre “aposentar o PT” ou encerrar o bolsonarismo esbarram nos fatos. Uma derrota pode enfraquecer lideranças, provocar disputas internas e exigir mudanças de estratégia. Não apaga, porém, milhões de eleitores, identidades políticas e interesses sociais.

Uma vitória estreita não produz consenso

A pesquisa BTG/Nexus divulgada pelo UOL em 24 de outubro apontou Flávio com 50,5% dos votos válidos e Lula com 49,5%. Foram ouvidas 2 mil pessoas entre os dias 23 e 24, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais e registro BR-08234/2026 no TSE.

No mesmo dia, a Atlas/Bloomberg, também noticiada pelo UOL, apresentou 50,8% para Flávio e 49,2% para Lula. O levantamento ouviu 4.990 eleitores entre 18 e 23 de outubro, com margem de um ponto e registro BR-06380/2026. Ambos informam confiança de 95%.

Se esse equilíbrio se confirmar, o vencedor terá diante de si um adversário respaldado por quase metade dos votos válidos. Isso não equivale a afirmar que metade de todo o eleitorado estará permanentemente contra o governo: votos válidos excluem brancos e nulos, não incluem abstenções, e a avaliação de uma gestão pode mudar.

A resistência, contudo, é expressiva. O Datafolha de 13 e 14 de outubro encontrou 46% que rejeitavam exclusivamente Lula e 44% que rejeitavam apenas Flávio, além de 3% que rejeitavam ambos. Foram 2.520 entrevistas em 153 municípios, com margem de dois pontos, confiança de 95% e registro BR-00466/2026. Rejeição eleitoral não mede oposição futura, mas revela o tamanho do desafio de aproximação.

O PT já perdeu e voltou

O argumento de que uma derrota encerraria o PT encontra um obstáculo na própria história recente. Em 2018, Fernando Haddad recebeu 47 milhões de votos e perdeu para Jair Bolsonaro. Quatro anos depois, Lula venceu com 60,3 milhões. A CNN Brasil destacou essa recuperação, superior a 13 milhões de votos entre as duas candidaturas.

Há também identificação partidária. A Ipsos-Ipec de março de 2026 colocou o PT na liderança da preferência, com 27%, seguido pelo PL, com 19%. Ao mesmo tempo, 32% não preferiam nenhuma legenda. Foram 2 mil entrevistas em 131 municípios, de 5 a 9 de março, com margem de dois pontos e confiança de 95%. É um retrato daquele período, não uma projeção do resultado presidencial.

Em entrevista à BBC News Brasil, reproduzida pelo O POVO em janeiro de 2025, André Singer, professor da USP e ex-porta-voz de Lula, explicou a persistência do vínculo do lulismo com a população de menor renda. Também apontou dificuldades do PT para dialogar com trabalhadores inseridos em um mercado cada vez mais fragmentado.

A análise ajuda a distinguir permanência de invulnerabilidade. O partido tem base social, mas enfrenta desafios de renovação e representação. Uma eventual derrota de Lula colocaria esses problemas em evidência; não demonstraria, por si, a morte do petismo.

A direita também não cabe em uma candidatura

O precedente de 2022 é igualmente esclarecedor. Segundo o TSE, Bolsonaro perdeu com 58,2 milhões de votos, ou 49,1% dos válidos. Seu total foi superior ao de 2018, quando venceu com 57,8 milhões. Perder o cargo não significou perder toda a capacidade de mobilização.

Em entrevista ao Valor Econômico, em novembro de 2022, Jairo Nicolau, da FGV, destacou que a derrota presidencial coexistiu com a força da direita no Congresso e em governos estaduais. Também diferenciou a direita bolsonarista de setores conservadores dispostos a negociar com Lula.

Há outra distinção necessária. À Folha de S.Paulo, também em 2022, a cientista política Camila Rocha, pesquisadora do Cebrap, observou que o eleitorado de Bolsonaro incluía pessoas movidas pelo antipetismo ou pela falta de alternativa à direita, e não apenas apoiadores convictos.

Assim, uma derrota de Flávio poderia atingir sua liderança e abrir espaço para concorrentes dentro do próprio campo. Não autoriza concluir que a direita, em seu conjunto, perderia relevância.

O que estará em jogo depois das urnas

Se Lula vencer, precisará transformar a maioria eleitoral em capacidade de governar e responder também aos eleitores que o rejeitam. A vitória não resolverá automaticamente as dificuldades de representação do PT nem retirará da direita sua capacidade de oposição.

Se Flávio vencer, terá de converter a mobilização eleitoral em resultados administrativos e construir legitimidade além do bolsonarismo. Encontrará um campo petista e progressista com base suficiente para fiscalizar, mobilizar e disputar os próximos pleitos.

São consequências políticas plausíveis, não previsões de comportamento imutável. Apoio popular e alianças podem mudar conforme emprego, renda, preços, serviços públicos e decisões do governo.

Os dados sustentam uma conclusão mais sólida do que os slogans: nenhuma das duas correntes está perto de desaparecer apenas por perder a Presidência. O vencedor receberá um mandato para governar todos os brasileiros. O derrotado continuará tendo eleitores — e o direito democrático de fazer oposição.

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