O ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, cassou a decisão do Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) que havia suspendido a veiculação de propaganda televisiva do candidato a governador Renan Filho (MDB) no caso Iprev-Maceió/Banco Master, restabelecendo seu direito à difusão de críticas ao adversário JHC (PSDB), com base em fatos públicos e sem violação à liberdade de expressão.
Contexto Institucional e Jurídico da Decisão
A apuração revelou que o TRE-AL havia suspendido a propaganda que afirmava que JHC, então prefeito de Maceió, nomeou Ronnie Mota na presidência do Iprev e vinculou R$ 97 milhões dos aposentados do instituto ao Banco Master, instituição financeira envolvida em irregularidades investigadas pela Polícia Federal e atualmente em processo de liquidação pelo Banco Central. O ministro destacou que a remoção da propaganda configurava censura expressamente vedada pela jurisprudência do STF, já que a crítica política com base em fatos públicos, como a busca e apreensão conduzida pela PF nos autos da Pet 16.344/AL, é protegida pela Constituição.
O caso decorre de uma reclamação eleitoral (Reclamação 94666) apresentada por Renan Filho, que buscava o direito de responder às alegações de abuso de poder político por parte do rival, com base em documentos públicos e na ampla cobertura midiática garantida à disputa eleitoral.
A decisão reafirma que a liberdade de expressão política não pode ser cerceada por decisões judiciais que suspendem campanhas baseadas em críticas a fatos públicos.
Repercussão Jurídica e Estratégicas
Gilmar Mendes ressaltou que o direito de resposta concedido ao TRE-AL a JHC – afirmando que 'não é investigado no caso Iprev' – é inequívoco excesso, já que a propaganda jamais o acusava de investigação, mas sim responsabilidade política pela indicação de Ronnie Mota e silêncio frente ao escândalo.
A decisão reforça o princípio constitucional de que a democracia se fortalece com a livre exposição das críticas eleitorais, mesmo quando desproporcionais, desde que ancoradas em fatos documentados e sem abusos na linguagem.



