O futuro do Partido Republicano nos Estados Unidos está em xeque após as eleições, e o grande teste para a legenda será saber se políticos relevantes ainda em atividade passarão a criticar o presidente americano, Donald Trump, abertamente. A avaliação é de Brian Winter, editor-chefe da Americas Quarterly, em entrevista ao WW. Até agora, segundo ele, apenas figuras sem perspectiva de futuro eleitoral fizeram esse tipo de manifestação.
Winter analisou o comportamento histórico do partido e traçou um prognóstico sobre possíveis divisões internas. Para ele, o teste agora é se alguém em funções atuais, com pelo menos a esperança de um futuro político, vai criticar Trump de dentro do partido — algo inédito entre republicanos que mantêm ambições eleitorais. Questionado sobre seu prognóstico, Winter disse acreditar que um racha interno é possível, mas com características distintas do que ocorre no Partido Democrata.
Segundo o especialista, ao longo dos últimos dez anos — período em que Trump se consolidou como figura central do Partido Republicano e da política americana —, houve senadores e outras lideranças que se manifestaram contra ele. No entanto, esses casos tinham um denominador comum: quase todos eram figuras políticas sem futuro, que já tinham perdido uma eleição ou desistiram da possibilidade de disputar no futuro. Winter citou nomes como Mitt Romney, Thom Tillis e John Cornyn — senador pelo Texas que deixará o cargo — como exemplos de políticos que passaram a criticar Trump praticamente no primeiro dia após reconhecerem que não teriam mais eleições pela frente.



