A Prefeitura de São Paulo desembolsa mensalmente R$ 4.098.560,00 ao Instituto Conhecer Brasil (ICB) para a manutenção de 3.200 pontos de Wi-Fi instalados em comunidades e favelas, em um contrato de aditamento de R$ 49,2 milhões firmado em dezembro de 2025 que elevou o valor total do acordo para R$ 157,1 milhões, com prorrogação por mais 12 meses.
Contexto Institucional e Investigações em Curso
A apuração jornalística revelou que o contrato entre a Prefeitura de São Paulo e a O NG Instituto Conhecer Brasil (ICB), vinculada à produtora cinematográfica Go UP Entertainment — donada por Karina Gama, sócia do ICB e alvo de busca e apreensão da Polícia Federal na última quinta-feira (10/9) — está sob investigação da Polícia Federal e da Polícia Civil de São Paulo por suspeitas de irregularidades na licitação e desvios de recursos, incluindo possível desvio para a produção do filme Dark Horse sobre Jair Bolsonaro.
O contrato original, firmado em 2024 para instalar cerca de 5 mil pontos de Wi-Fi com valor inicial de R$ 108 milhões, foi reduzido para 3.200 pontos após supostas restrições orçamentárias e remanejamentos, conforme documento da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT), que afirma que a execução se mantém regular e que não houve pagamento por ponto não instalado.
O contrato totaliza R$ 157,1 milhões, com manutenção mensal fixada em R$ 4.098.560,00 para os serviços efetivos em 3.200 pontos.
Repercussão Jurídica e Desdobramentos Imediatos
Em resposta às investigações, o prefeito Ricardo Nunes declarou que acionará o Supremo Tribunal Federal (STF) para avaliar a possibilidade de rompimento do contrato, caso o ministro Flávio Dino tenha realizado uma criminalização antecipada que inviabilize a continuidade da parceria.
A SMIT informa que os aditamentos ao contrato reduziram o custo unitário para R$ 1.280,80 por ponto/mês, garantindo a operação e manutenção dos equipamentos já instalados, enquanto o Judiciário aguarda decisão sobre o sigilo das investigações levantado pelo ministro em 13/9.



