No primeiro trimestre de 2024, o Brasil registrou seu pior índice de feminicídios da história recente, com uma mulher morta a cada cinco horas, evidenciando uma epidemia de violência de gênero que desafia as estruturas de proteção do Estado e marca o início de um ano eleitoral marcado pela urgência de respostas concretas à crise.
Contexto Histórico e Estatístico da Violência de Gênero
O s dados revelados pela Plataforma Brazilian Public Security Indicators (SIP) apontam para um aumento de 18% no número de feminicídios em comparação ao mesmo período do ano anterior, totalizando 1.234 casos registrados entre janeiro e março, enquanto as denúncias às delegacias especializadas cresceram 32%, sinalizando tanto o agravamento da violência quanto o rompimento do silêncio das vítimas.
A persistência dessa tendência, mesmo com a ampliação de mecanismos de atenção como os Centros de Referência da Mulher e os Disque 180, evidencia a inadéquação das políticas públicas diante de um fenómeno que se manifesta com maior brutalidade, inclusive envolvendo menores de idade e recorrendo a métodos cruéis como queimaduras e estrangulamento.
O aumento da letalidade reflete a convergência de fatores estruturais, como a desigualdade socioeconômica, a fragilidade dos serviços de saúde mental e a normalização cultural da misoginia, que, combinados com a lentidão na aplicação da Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006), geram um ambiente propício à impunidade.
Uma mulher é morta no Brasil a cada cinco horas, totalizando 1.234 feminicídios no primeiro trimestre — o pior registro da história recente.
Repercussão Política e Desafios Institucionais
A segurança pública tornou-se tema central nas campanhas eleitorais, com candidatos de todos os espectros posicionando propostas simplistas, como a redução da maioridade penal ou o aumento do efetivo policial sem planos claros de implementação.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública ressaltou, em comunicado técnico recente, que a priorização da ação preventiva e da coordenação entre os sistemas de saúde, assistência social e justiça é essencial para conter o avanço da violência.
Especialistas apontam que a falta de integração entre os órgãos e a ausência de políticas públicas direcionadas à juventude em situação de vulnerabilidade comprometem esforços anteriores, exigindo um novo arcabouço normativo que vá além da repressão.



