No âmbito da O peração Fim da Linha, deflagrada em abril de 2024 pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime O rganizado (GAECO) e coordenada pela Promotoria de Justiça Militar, o Ministério Público de São Paulo formalizou denúncia contra quatro militares da ativa e da reserva da Polícia Militar paulista, acusados de constituir uma organização criminosa para prestar segurança particular a dirigentes da Transwolff e da UPBUS, empresas investigadas por suspeitas de lavagem de dinheiro vinculada ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Contexto Institucional e Estrutura do Esquema Investigado
A denúncia, protocolada em 26 de agosto pelo Gaeco e pela Promotoria de Justiça Militar, aponta que os quatro militares — um tenente-coronel, um capitão, um segundo-sargento e um terceiro-sargento da reserva — teriam articulado, desde 2020, uma estrutura hierárquica para oferecer serviços de segurança privada a empresários da Transwolff e da UPBUS, aproveitando a legitimidade institucional da Corporação para legitimar a atuação. O contrato de segurança, inicialmente firmado em valor inferior a R$ 31 mil por mês, foi reajustado para R$ 44.639,10 em janeiro de 2025, mesmo após o desenrolamento da O peração Fim da Linha, que apurou indícios robustos de lavagem de dinheiro por meio de empresas fachada e movimentações financeiras suspeitas. A estrutura incluía escalas coordenadas por oficiais superiores, recrutamento interno de militares e repasses financeiros intermediados por sociedades empresariais controladas por envolvidos no esquema.
Antecedentes revelam que o grupo operava com base em contatos prévios dentro da Rota — Rondas O stensivas Tobias de Aguiar —, com histórico de atuação em ações ostensivas contra o crime organizado. Em setembro de 2020, um dos militares consultou o sistema Muralha Paulista para identificar nomes ligados à direção da Transwolff, entre eles um indivíduo com vínculo familiar a um membro supostamente ligado à estrutura financeira do PCC. Apesar da determinação do comando do batalhão para afastamento das atividades particulares em outubro de 2020, as denúncias indicam que os acusados mantiveram a colaboração com os empresários, configurando persistência no ilícito.
O contrato de segurança reajustado para R$ 44.639,10 mensais configura indícios claros de enriquecimento ilícito por meio do uso da credibilidade institucional em favor de um esquema investigado por lavagem de dinheiro ligada ao PCC.
Repercussão Legal e Desdobramentos Imediatos
O Ministério Público pediu a manutenção da prisão preventiva de três dos acusados e a prisão do tenente-coronel, que se encontra foragido, sob fundamento de risco à ordem pública e à continuidade das atividades ilícitas. As acusações incluem organização criminosa, exercício ilegal de comércio por oficial — para o capitão e o tenente-coronel — e lavagem de dinheiro, neste último imputado ao terceiro-sargento após a apreensão de R$ 1,18 milhão em espécie durante busca domiciliar em sua residência.
A Justiça Militar terá a competência exclusiva para apreciar o mérito das denúncias, com possibilidade de aplicação de sanções que incluem suspensão ou demissão do serviço público militar, perda da graduação e inclusão em processo disciplinar federal. O s réus manterão direito à defesa garantido pela Constituição, mas a O peração Fim da Linha já consolidou elementos probatórios que podem ensejar condenação judicial.



