Na sessão de quinta‑feira, a curva de juros brasileira reagiu à intensificação da disputa política entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela chefia do Executivo, enquanto os mercados globais mantinham aversão ao risco e o dólar avançava.
Contexto Institucional e Movimentação Política nos Mercados de Juros
A taxa do Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028 encerrou a 12,88%, registrando elevação de 11 pontos‑base em relação ao ajuste anterior de 12,775%, após ter atingido pico de 12,955% às 14h43, enquanto a taxa para janeiro de 2035 manteve‑se em 12,76%, com alta de dois pontos‑base frente aos 12,743% da sessão anterior.
As expectativas do mercado permanecem cautelosas à luz da próxima pesquisa eleitoral do Datafolha, prevista para o início da noite, e das intenções de voto que apontam Flávio Bolsonaro à frente de Lula, embora a diferença entre os candidatos tenha se reduzido conforme indicado pela Quaest, que mostrou empate técnico com variação de um ponto percentual.
O ambiente externo também contribuiu para a volatilidade, com queda dos índices acionários globais, alta do petróleo Brent acima de US$ 110 por barril e fortalecimento do dólar, fatores que impulsionaram a busca por ativos de segurança e a consequente queda do rendimento do Treasury de dez anos para 4,955%, decréscimo de 19 pontos‑base.
A taxa do DI para janeiro de 2028 atingiu 12,955% no pico da sessão, representando alta de 18 pontos‑base em relação à mínima da manhã.
Repercussão Jurídica e Posicionamentos das Autoridades
O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, reiterou que as variações nas taxas de juros obedecem à dinâmica dos indicadores macroeconômicos e à avaliação de risco soberano, sem vínculo direto às disputas políticas em curso.
Ministros da Fazenda e da Receita Federal sinalizaram que eventuais ajustes fiscais dependerão da definição do novo governo, reforçando a necessidade de consolidação das contas públicas para conter a pressão sobre os juros.
Especialistas apontam que a manutenção da taxa DI acima de 12% pode refletir um cenário de maior incerteza institucional, o que pode repercutir nos custos de crédito e na inflação no médio prazo.



