Um levantamento da empresa de tecnologia ambiental MORFO apontou que 84% do território brasileiro pode registrar temperaturas pelo menos 0,5 °C acima da média histórica durante a estação chuvosa de 2026-2027, em decorrência dos efeitos do fenômeno El Niño. A estimativa abrange mais de 700 milhões de hectares e foi baseada em registros climáticos desde 1981, utilizando 100 mil simulações para cada uma das 11.763 células analisadas.
A análise indica que a distribuição das chuvas variará significativamente entre as regiões. Enquanto parte do Norte, Nordeste e Centro-Oeste tende a enfrentar condições mais secas, o extremo Sul pode registrar volumes de precipitação acima do habitual. Em 38% do território nacional, há tendência de diminuição das chuvas, enquanto apenas 4% da área deve ficar mais úmida, concentrada principalmente na região Sul.
O estudo detalha que a combinação de calor elevado e redução de chuvas pode atingir 37% do país, abrangendo 1.111 municípios, concentrados principalmente no Norte e Nordeste. Na Amazônia, a projeção é de redução de 16% no volume de chuva e temperaturas 0,9 °C acima da média; já no Cerrado, a diminuição projetada é de 15%, aproximadamente 177 milímetros, com aumento de 0,8 °C na temperatura.
Outro ponto relevante é o possível atraso no início da estação chuvosa. Em Curuá, no Pará, as precipitações podem se firmar aproximadamente 74 dias depois do esperado em um ano neutro, reduzindo a janela adequada para o plantio de cerca de 154 para 79 dias. Entre as regiões analisadas, os maiores atrasos projetados ocorrem em Ilhéus e Itabuna (BA), com 43 dias; Santarém (PA), com 41 dias; e Altamira (PA), com 34 dias.
Os dados estão disponíveis gratuitamente na plataforma interativa El Niño Explorer, que permite consultar cenários por município e visualizar o histórico climático. As projeções apresentam tendências semelhantes ao Painel El Niño 2026-2027, elaborado por instituições federais como INMET e INPE, que indicam a permanência do fenômeno até pelo menos o início de 2027.


