Pouco mais de um mês antes do Círio de Nazaré 2026, famílias de Belém já calculam os custos do almoço tradicional, com o pato vivo apontado entre R$ 66 e R$ 80 o quilo nas feiras da capital paraense e o congelado entre R$ 40 e R$ 58, valores que ultrapassam a inflação acumulada nos últimos doze meses e pressionam consumidores a buscar substitutos como frango ou peru.
Análise de Preços e Contexto de Mercado
O levantamento conduzido pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese Pará) entre 28 de agosto e 3 de setembro identificou variações significativas nos preços do pato em diferentes pontos de venda: o pato vivo, ofertado predominantemente nas feiras de Belém com oferta limitada, oscila entre R$ 66 e R$ 80 por quilo, enquanto o pato congelado, comercializado em supermercados, apresenta preço médio entre R$ 40 e R$ 58 por quilo. Essas discrepâncias refletem a sazonalidade da demanda e as restrições logísticas na cadeia de suprimento da ave tradicional. A associação dos valores observados com a inflação acumulada nos últimos doze meses revela que a alta é consistente, sobretudo no caso do pato vivo, cujo preço médio já ultrapassa em mais de 50% o valor registrado em outubro do ano anterior.
Além dos fatores econômicos, a tradição cultural do Círio impõe forte pressão sobre a procura: o pato é ingrediente central do tucupi, prato típico preparado na grande procissão, e sua presença na mesa é simbólica para milhares de famílias paraenses. Comercializadores como Marcos Raiol, que atua no setor há duas décadas, constatam crescimento natural da demanda à medida que a data se aproxima, embora a disponibilidade atual seja restrita a filhotes devido à sazonalidade reprodutiva da ave. Ele já sinalizou à imprensa que uma nova remessa de Capitão Poço está sendo organizada para atender ao volume esperado no período crítico.
O pato vivo chega a custar até R$ 80 o quilo nas feiras de Belém, valor que supera em mais de cinquenta por cento a inflação acumulada nos últimos doze meses.
Repercussões Econômicas e Decisões Consumidoras
As consequências da alta nos preços estão mobilizando ajustes no cardápio: segundo o Dieese Pará, o custo do frango resfriado ou congelado varia entre R$ 8,99 e R$ 15,99 por quilo, faixa que permite substituições estratégicas sem perda significativa de qualidade nutricional. Nesse cenário, o empreendedor Edson Peres optou explicitamente pelo peru – adquirindo a coxa – como alternativa viável e econômica para manter o almoço familiar sem comprometer o orçamento. A advogada Consolação Rabelo reforça que tais escolhas não representam abdicação de tradição, mas sim adaptação racional diante da realidade financeira. A lógica de substituição também se aplica ao consumo coletivo: substituir um item por outro equivalente em custo mantém o ritual sem sobrecarregar as finanças domésticas.
Diante da expectativa de aumento na oferta nas próximas semanas, conforme indicado pelo Dieese, os consumidores são orientados a monitorar os preços e planejar as compras com antecedência para garantir o prato tradicional sem surpresas orçamentárias. A tendência é que maior disponibilidade modere os valores próximos ao Círio, embora os patamares atuais ainda indiquem manutenção dos preços elevados.



