Na tarde de domingo em Óbidos, durante o evento literário Fólio, o Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou que a falha democrática residia no 'distrairmo-nos', reconhecendo responsabilidade do poder público na erosão dos pilares cívicos e defendendo o reengajamento coletivo como condição para preservar a alternância pacífica e combater o ódio que assola o espaço público.
Contexto Histórico e Institucional da Crise Democrática
A pergunta ao vivo, formulada por um membro da plateia entre dois renomados escritores — Valter Hugo Mãe e Ana Maria Gonçalves, primeira mulher negra eleita para a Academia Brasileira de Letras —, expôs uma vulnerabilidade institucional revelada em um momento de intenso debate sobre a sobrevivência da democracia brasileira, onde a ausência de engajamento cívico e a erosão da confiança nas instituições são evidenciadas por especialistas como consequência de práticas políticas distantes da sociedade.
O Presidente português, presente na primeira fila do evento organizado pela Fundação Getúlio Vargas em parceria com a Universidade de Lisboa, validou publicamente a percepção de que a apatia coletiva e a desatenção às dinâmicas democráticas constituem ameaças estruturais, citando como exemplo crítico a tendência à rutura social e à radicalização do discurso público que tem marcado o cenário contemporâneo em diversas democracias latino-americanas.
O Presidente português reconheceu que o 'distrairmo-nos' foi a falha central na defesa da democracia, colocando a responsabilidade coletiva do poder público como causa estrutural da erosão institucional.
Repercussão O ficial e Caminhos para o Reencontro Cívico
O governo português, por meio da Presidência da República, reforçou a necessidade de priorizar políticas de educação cívica e fortalecimento do debate democrático, propondo iniciativas voltadas à mediação entre cidadãos e ao combate à desinformação como estratégias urgentes para restaurar a confiança nas instituições eleitorais.
Especialistas em ciência política apontam que a resposta presidencial, embora simbólica, sinaliza um reconhecimento inédito da dimensão ativa do Estado na construção ou desconstrução da democracia, exigindo agora ações concretas que vão além das declarações retóricas para incluir reformas estruturais no financiamento de campanhas e na transparência do processo eleitoral.


