Em uma decisão inédita na história do futebol inglês, a Premier League declarou culpado o Manchester City de todas as acusações de violação das regras financeiras praticadas entre as temporadas 2009/10 e 2017/18, após conclusão de investigação que durou quatro anos e apurou a utilização sistemática de contratos simulados para inflar receitas e reduzir despesas em mais de 900 milhões de libras. O clube, controlado pelo Abu Dhabi United Group Investment & Development Ltd, enfrenta agora a possibilidade de sanções rigorosas, com recurso limitado até 2 de outubro, data que definirá o desdobramento jurídico definitivo do caso.
Apuração da Infração Financeira e Contexto da Investigação
A comissão independente designada pela Premier League concluiu que o Manchester City negociou contratos 'fictícios' com parceiros comerciais vinculados ao grupo empresarial do clube, com o objetivo dichiaradamente inflar receitas artificiais e reduzir custos operacionais em mais de 900 milhões de libras ao longo de nove temporadas, configurando claro desvio das normas de controle financeiro da liga. A apuração revelou que esses acordos não refletiam transações reais entre terceiros, mas sim ajustes internos para manipular indicadores financeiros exigidos pela regulação.
O caso foi instaurado em fevereiro de 2023 após um processo meticuloso que incluiu análise de centenas de documentos contábeis, entrevistas com ex-funcionários e exame detalhado dos contratos com fornecedores como Etihad Airways e Nissan. A investigação confirmou que o esquema perdurou desde 2009, período em que o clube recebeu investimentos massivos do Abu Dhabi United Group, mas que nunca apresentou comprovação suficiente de fontes legítimas de renda para sustentar os gastos reportados.
O Manchester City inflacionou artificialmente suas receitas em mais de 900 milhões de libras — equivalentes a R$ 6,2 bilhões — durante nove temporadas ao utilizar contratos simulados para fraudar os critérios financeiros da Premier League.
Repercussão Legal e Estratégia de Recurso do Clube
O Manchester City rebateu a decisão com veemência, afirmando estar 'desapontado e surpreso' com a conclusão da comissão e garantindo que possui 'provas irrefutáveis' para comprovar sua inocência. O clube anunciou formalmente sua intenção de interpor recurso dentro do prazo legal estabelecido até 2 de outubro, contestando o que classifica como 'erros materiais evidentes, de direito, de princípio e de fato' na decisão da Premier League.
A sanção final ficará a cargo de uma comissão independente designada pela liga, que terá autonomia para definir medidas disciplinares que podem incluir multas avultadas, pontos negativos na tabela ou até mesmo rebaixamento — embora esta última hipótese seja considerada improbável dadas as circunstâncias. O desenrolar do caso marcará um marco regulatório no futebol global, testando os limites da fiscalização financeira em clubes com alto poder econômico.



