A Polícia Federal e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificaram, por meio de relatório de inteligência financeira, doação de um apartamento avaliado em R$ 4,34 milhões da empresa Super Empreendimentos e Participações S. A., vinculada ao banqueiro Daniel Vorcaro, para Karolina Santos Trainotti, figura conhecida no cenário empresarial como 'sugar baby' do doador, conforme escritura lavrada em 16 de dezembro de 2024 no 9º Tabelião de Notas de São Paulo.
Contexto Institucional e Procedimentos de Apuração
A investigação foi iniciada após a Coaf sinalizar diferença entre o valor fiscal do imóvel, registrado em R$ 4,34 milhões, e o valor de referência municipal aproximado de R$ 1,3 milhão, critério este utilizado para identificar possíveis fraudes na transmissão de bens sem vínculo familiar.
Conforme documentos obtidos pela PF sob autorização do STF e integrados à Petição 15645, a doação ocorreu em meio a contexto de liquidação do Banco Master, que havia imposto restrição à alienação do imóvel para garantir a efetivação das obrigações financeiras da instituição.
O registro da escritura foi inicialmente indeferido por exigências formais, com a prenotação vencida em 30 de janeiro de 2025, enquanto os administradores da empresa – Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro, e Ana Claudia Queiroz de Paiva – figuram como operadores financeiros do núcleo empresarial.
A Super Empreendimentos é constituída como sociedade anônima fechada com capital social de R$ 1 milhão, faturamento e patrimônio zerados, configuração que acende alerta para operações atípicas de transferência patrimonial.
Doação de imóvel no valor de R$ 4,34 milhões para 'sugar baby' gerou fraude fiscal detectada pelo Coaf e restrição judicial à alienação.
Repercussão Jurídica e Desdobramentos da O peração
O ministro André Mendonça autorizou o levantamento do sigilo processual na última segunda-feira (14/9), após decisão do ministro Edson Fachin no âmbito da O peração Compliance Zero, que visa fiscalizar condutas ilícitas em instituições financeiras e negócios opacos.
A PF destacou que as comunicações automáticas do Coaf não implicam culpa automática, mas reforçam a necessidade de apuração rigorosa sobre a origem dos recursos e a legitimidade das partes envolvidas.



