Em pronunciamento unânime proferido nesta terça-feira (29/9), o Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) indeferiu o pedido da Polônia para suspender a aplicação provisória do Acordo Interino de Comércio (ITA) entre a União Europeia e o Mercosul, mantendo em vigor, desde 1º de maio de 2026, as condições previstas no pacto assinado em janeiro. A decisão reforça que a suspensão de atos administrativos europeus por meio de medidas provisórias exige demonstração inequívoca de urgência e risco grave e irreparável, critério este não atendido pela Varsóvia.
Contexto Institucional e Fundamentação Jurídica da Decisão
O Tribunal de Justiça da União Europeia, órgão judiciário supremo da UE com sede no Luxemburgo, rejeitou formalmente o pedido polonês de suspensão cautelar do acordo comercial provisional, fundamentando a decisão na inexistência de comprovação técnica e quantitativa dos danos alegados à agricultura europeia e à saúde pública. A petição, protocolada em maio, sustentava que a entrada de produtos agrícolas do Mercosul – notadamente soja, carne bovina e açúcar – poderia causar prejuízos irreversíveis ao setor produtivo europeu, além de representar riscos sanitários decorrentes de normas ambientais menos rigorosas adotadas no bloco sul-americano.
Por outro lado, a Corte destacou que os produtos importados já estavam sujeitos às regras fitossanitárias e sanitárias da União Europeia, com mecanismos de monitoramento e sanções previstos no próprio texto do acordo, o que desmonstra a efetividade das salvaguardas institucionais previstas no instrumento jurídico vigente.
O TJUE manteve a aplicação provisória do acordo comercial entre a UE e o Mercosul desde 1º de maio de 2026, apesar do pedido polonês de suspensão.
Repercussão Política e Caminhos para o Processo Principal
A decisão não encerra o debate jurídico sobre a validade do pacto, já que a Polônia continuará a pleitear a anulação da autorização concedida pelo Conselho da UE em processo principal que pode levar até dois anos para conclusão definitiva. O governo brasileiro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestaram apoio ao arranjo comercial, enquanto a Comissão Europeia, representada por Ursula von der Leyen, celebrou a manutenção da previsibilidade nas relações comerciais bilaterais.
Especialistas em direito comercial preveem que a permanência do ITA dependerá da evolução das negociações do acordo definitivo, cujo cronograma inclui ratificação pelos parlamentos nacionais dos Estados-membros da UE e dos países do Mercosul, com perspectiva de entrada em vigor definitiva entre 2027 e 2028.



