Na terça-feira, a taxa de referência dos títulos do Tesouro dos EUA ultrapassou brevemente 5,04%, registrando seu maior nível desde 2007, após uma série de intervenções do secretário do Tesouro, Scott Bessent, que visavam reduzir os rendimentos para abaixo de 4%, objetivo que se mostrou inalcançável diante da persistente pressão inflacionária e do déficit federal em torno de 6% do PIB.
Contexto Institucional e Antecedentes da Intervenção
Scott Bessent, ao assumir o cargo de secretário do Tesouro em janeiro de 2024, declarou publicamente a ambição de reconfigurar a curva de rendimentos dos títulos de 10 anos, buscando um patamar inferior a 4% ao ano, em linha com as promessas de campanha de Donald Trump. A operação envolveu a triplicação das compras de títulos pelo Tesouro, movimento que gerou expectativa inicial de estabilização dos juros. No entanto, os dados do mercado revelaram que a taxa de referência subiu brevemente acima de 5,04% na terça-feira, contrariando diretamente a estratégia anunciada por Bessent.
O s analistas apontam que o fracasso decorre principalmente da dívida nacional que ultrapassa US$ 40 trilhões e do déficit orçamentário que permanece cerca de duas vezes o objetivo prometido. Em pronunciamento à imprensa, Tim Mahedy, ex-funcionário do Federal Reserve e atual CEO da Access/Macro, afirmou que Bessent 'jogou gasolina no fogo', ressaltando o impacto oposto das ações àquelas desejadas.
A taxa de referência dos títulos do Tesouro subiu brevemente acima de 5,04%, seu maior nível desde 2007, contrariando meta de Bessent.
Repercussão Jurídica e Econômica
A intervenção de Bessent foi alvo de críticas acirradas por figuras como Stanley Druckenmiller, que alertou em artigo no The Wall Street Journal que esforços para suprimir os rendimentos seriam contraproducentes, enquanto Douglas Holtz-Eakin, presidente do American Action Forum, afirmou que a medida estava 'fadada ao fracasso' por não atacar a raiz do problema: déficits trilionários.
Especialistas como Paul Donovan, economista-chefe da UBS, reforçam que o aumento dos rendimentos reflete preocupações com a escalada dos preços do petróleo bruto e não a eficácia das compras de títulos pelo Tesouro, sinalizando que o plano pode agravar o custo para consumidores e empresas na obtenção de crédito.



