A discussão sobre a influência da vestimenta íntima, especificamente o tipo de cueca utilizada pelos homens, na qualidade dos espermatozoides ressurge no debate científico, após nova análise que desmistifica a crença antiga de que a poliéster reduz diretamente a fertilidade, enquanto especialistas apontam que fatores como temperatura testicular, ajuste da peça e condições ambientais são os verdadeiros determinantes do impacto na espermatogênese.
Contexto Científico e Revisão de Estudos Anteriores
A partir de uma série de pesquisas epidemiológicas e urologicamente rigorosas, o consenso atual na medicina reprodutiva indica que o calor excessivo na região escrotal compromete a espermatogênese, embora o material da cueca — seja algodão ou poliéster — não seja, por si só, fator determinante de alterações significativas na produção de espermatozoides.
O urologista Marcelo Schneider Goulart, da clínica EndoUro, em Florianópolis, ressalta que os estudos antigos que vinculavam o uso de cuecas de poliéster à redução da qualidade espermática sofriam de metodologias inadequadas, com amostras limitadas e dispositivos não representativos das cuecas comuns atualmente, o que inviabiliza sua validade científica contemporânea.
A temperatura dos testículos mantém-se cerca de dois graus abaixo da temperatura corporal, sendo essencial para a espermatogênese adequada.
Repercussão Médica e O rientação Preventiva
As autoridades sanitárias e os profissionais liberais coincidem em destacar que o principal risco não está no tipo de tecido da roupa íntima, mas na combinação entre o ajuste apertado da peça, a temperatura ambiental elevada e a duração prolongada do contato, fatores que podem elevar a temperatura escrotal em níveis prejudiciais à produção espermática.
Diante do cenário atual, especialistas recomendam o uso de cuecas folgadas, preferencialmente de algodão respirável, evitando ambientes quentes como saunas ou banheiras prolongadas, bem como a prática de trabalhar com notebooks sobre o colo por períodos estendidos.



