Em junho de 2026, a dívida bruta do governo geral alcançou 81,9% do PIB, equivalente a R$ 0,8 trilhões, enquanto o setor público registrou gastos com juros de R$ 110,7 bilhões, quase o dobro do valor registrado no mesmo mês do ano anterior, evidenciando um cenário fiscal de fragilidade que ameaça a estabilidade do real diante da combinação de juros altos e pressão sobre o petróleo.
Contexto Fiscal e Mecanismos de Subvenção no Âmbito Nacional
A dívida bruta acumulou expansão de três pontos percentuais em seis meses, passando de 78,7% em dezembro de 2025 para 81,9% em junho de 2026, impulsionada principalmente pelo crescimento desproporcional dos encargos com a dívida pública. Em apenas um ano, os gastos com juros nominais saltaram de R$ 61 bilhões para R$ 110,7 bilhões, refletindo a alta da Selic para 13,75% ao ano e a inflação projetada em torno de 4,25%, o que resultou em juros reais próximos de 9%. Com a dívida em 81,9% do PIB e um crescimento econômico estimado em 2%, a teoria fiscal aponta que seria necessário um superávit primário de aproximadamente 5,7% do PIB para conter a escalada da dívida; entretanto, o governo registrou déficit primário de cerca de R$ 157,2 bilhões nos últimos 12 meses, ou 1,2% do PIB, criando uma diferença de quase sete pontos percentuais que equivale a um buraco anual de cerca de R$ 900 bilhões.
Além do peso fiscal direto, o governo recorreu ao Tesouro para subsidiar o preço dos combustíveis em até R$ 7,5 bilhões até o fim de junho de 2026, como resposta ao aumento do petróleo motivado pela guerra entre Estados Unidos e Irã e ao fechamento temporário do Estreito de O rmuz. Até julho, com a estabilização dos preços e o retorno do Brent a US$ 70 por barril, anunciou a retirada gradual da subvenção de R$ 0,35 por litro do diesel a partir de 1º de julho.



