Na manhã desta quinta-feira (24/9), o delegado Hoffman D'Ávila Cândido e Sousa, responsável por comandar investigações estratégicas da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, foi formalmente preso em operação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime O rganizado (Gaeco), sob acusação de participar de esquema estruturado para desvio e redistribuição de drogas apreendidas em diligências policiais.
Apuração da O peração Infiltrados e Estrutura do Esquema Corrupto
A investigação, iniciada em outubro de 2025 a partir das operações Traquetos e Blindspot, identificou padrões sistemáticos na qual agentes da Polícia Civil teriam subtraído entorpecentes — principalmente cocaína — das ocorrências policiais ou dos depósitos oficiais antes do registro formal, repassando-os para traficantes vinculados à facção criminosa PCC, conforme constata o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).
O inquérito apurou que os desvios ocorriam em pelo menos nove delegacias distribuídas entre Campo Grande, Dourados e Terenos, com envolvimento direto de nove policiais civis, dois militares e um penal, após a identificação de canais privilegiados que permitiam ao grupo criminoso antecipar ações e manipular resultados das apreensões.
Mais de R$ 12 milhões movimentados por meio de propina pagas por garimpeiros para proteger esquema de desvio de drogas apreendidas pela Polícia Civil
Repercussão Institucional e Desdobramentos Jurídicos
A Corregedoria da Polícia Civil confirmou o afastamento imediato do delegado e o inquérito policial foi instaurado para apurar responsabilidades disciplinares e criminais, enquanto o MPMS destacou que os atos configuram crime contra a administração da justiça e lavagem de ativos, com penas que podem chegar a 30 anos de reclusão.
As investigações seguem com foco no mapeamento de intermediários entre os agentes corruptos e a PCC, com possibilidade de ampliação das diligências para outras unidades da federação caso evidências apontem para estrutura organizada transnacional.



