Em 20 de março de 2026, a Prefeitura de Maceió formalizou o Contrato nº 50/2026 com a Mind Consultoria Ltda., empresa especializada em comunicação digital, cujo valor totaliza R$ 15.098.700,33 para um período de doze meses, levantando questionamentos acerca dos vínculos societários entre seus representantes e o ex-prefeito João Henrique Caldas (JHC), figura central no cenário político alagoano.
Contexto Institucional e Antecedentes da Contratação
A contratação foi formalizada pela Secretaria Municipal de Comunicação de Maceió após a execução da Concorrência nº 003/2025, cujo objeto abrangeu serviços de planejamento e comunicação digital, incluindo moderação de conteúdos, análise de sentimentos e elaboração de estratégias digitais com base em dados. O valor estimado para o primeiro período contratual é de R$ 15.098.700,33, com cláusulas que exigem a apresentação de O rdem de Serviço, nota fiscal e documentação comprobatória para liberação dos pagamentos, sem obrigatoriedade de execução integral do montante.
O contrato envolve a Mind Consultoria Ltda., inscrita no CNPJ 03.997.588/0001-98, com sede em Brasília e atividade principal registrada como agência de publicidade. Seus sócios administrativos incluem Leonardo Dias Saraiva, Moriael Rodrigues Vieira de Paiva e Caroline Hessmann Schuler, sendo Leonardo Saraiva também representante legal da NÉ Eleições SPE Ltda., empresa que recebeu aporte eleitoral de R$ 1,2 milhão na campanha de JHC-Cunha em 2024.
O contrato com a Mind Consultoria valia R$ 15.098.700,33, o maior valor já registrado para serviços digitais municipais em Maceió até a data da assinatura.
Repercussão Legal e Desdobramentos da Investigação
O Tribunal de Justiça de Alagoas determinou o bloqueio das contas bancárias vinculadas ao ex-prefeito João Henrique Caldas e ao seu irmão João Caldas por dívida eleitoral superior a R$ 4 milhões, medida que independe do contrato da Secom mas reforça o caráter contencioso do ambiente político local.
Enquanto o Ministério Público Estadual ainda não confirmou abertura formal de inquérito contra JHC no âmbito do caso Iprev, autoridades da Secom alegam que o atestado de capacidade técnica exigido para a contratação foi emitido com base em documento emitido pela Secretaria Municipal de Comunicação em fevereiro de 2026, cuja origem e validade continuam sob investigação.



