O estudo publicado na revista Cell Metabolism em outubro de 2025, coordenado pela professora Dominique Langin do Institut des Maladies Métaboliques et Cardiovasculaires, revelou que a lipase hormônio-sensível (LHS) adentra o núcleo das adipócitos, regulando a expressão gênica de forma independente de sua atividade enzimática tradicional, desafiando décadas de paradigma sobre seu papel no metabolismo da gordura.
Desvelando a Função O culta da Lipase Hormônio-Sensível no Núcleo Celular
A pesquisa, desenvolvida ao longo de dois anos com modelos experimentais em camundongos knockout e análise de pacientes com mutação genética da LHS, demonstrou que a migração da enzima para o núcleo não depende de sua capacidade catalítica para degradar triglicerídeos, mas sim de sua interação com componentes do complexo de transcrição RNA polimerase II, alterando diretamente o programa genealógico da célula adiposa.
Esses achados explicam por que indivíduos sem LHS, embora não apresentem obesidade, desenvolvem lipodistrofia — caracterizada pela incapacidade dos adipócitos de armazenar lipídios — e, paradoxalmente, manifestam as mesmas comorbidades metabólicas observadas em pacientes obesos, como resistência à insulina, diabetes tipo 2 e esteatose hepática, devido ao vazamento anormal de gordura para fígado e músculo.
A ausência da LHS no núcleo das adipócitos desencadeia fibrose tecidual e falha mitocondrial, provocando complicações metabólicas mesmo na ausência de obesidade.
Repercussão Científica e Redirecionamento Terapêutico
Instituições como a O rganização Mundial da Saúde reconhecem que cerca de 2,92 bilhões de pessoas no mundo enfrentam sobrepeso ou obesidade, e este estudo redefine a compreensão patofisiológica desse fenômeno, indicando que a disfunção celular adiposa, e não o ganho de peso per se, é o cerne da patologia.
Especialistas apontam que o avanço abre caminho para terapias que visam modular o trânsito da LHS diretamente no núcleo das células gordurosas, independentemente do índice de massa corporal, representando uma possível ruptura com abordagens atuais baseadas exclusivamente em supressão do apetite ou aumento do gasto energético.
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