O BTG Pactual divulgou nesta quarta-feira (4) um relatório no qual mantém a recomendação de compra para os papéis da Brasilagro (AGRO3). O banco estabeleceu um preço-alvo de R$ 25 por ação, baseando-se em uma cotação de R$ 17,20, o que representa um potencial de valorização de 45,3%.
Considerando o pagamento de dividendos, o retorno total projetado chega a 54,4% em um período de 12 meses, com um dividend yield estimado de 9%. Os analistas apontam que o modelo de negócio da empresa, baseado na compra, desenvolvimento e venda de propriedades rurais, continua sendo um diferencial competitivo.
Um exemplo recente dessa estratégia foi a negociação de 2,6 mil hectares da Fazenda Rio do Meio, que resultou em um ganho contábil de R$ 51 milhões. Esse movimento reforça a capacidade da companhia de capturar a valorização de seus ativos fundiários.
O relatório também indica uma mudança na alocação de capital da administração. Diante dos juros elevados, a empresa considera mais vantajoso utilizar recursos para quitar dívidas do que investir na aquisição de novas fazendas.
Segundo as estimativas do banco, a redução do endividamento oferece um retorno real entre 9% e 10%, enquanto a compra de novas propriedades proporcionaria um retorno menor, entre 6% e 7%.
Apesar da avaliação positiva, o BTG reconhece que a rentabilidade das operações agrícolas segue pressionada. O Ebitda ajustado das operações, excluindo a venda de terras, caiu 32% no primeiro trimestre da safra 2026/27, totalizando R$ 44 milhões.
Essa retração reflete margens mais fracas nas culturas de soja e milho. O desempenho da próxima safra depende ainda das condições climáticas no Maranhão e no Piauí, onde o atraso nas chuvas aumenta o risco de estiagem associado ao fenômeno El Niño.



