O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, rebateu nesta sexta-feira (28/8) as críticas à nova regra da Fapesp que restringirá as Bolsas Estágio Pesquisa no Exterior (Bepe) a partir de 1º de setembro, afirmando que os repasses financeiros para as bolsas serão mantidos sem cortes e que não haverá redução de recursos vinculados à receita estadual. Durante cerimônia em Amparo, ele destacou a imunidade das bolsas diante de eventual revisão orçamentária e reiterou compromisso com a continuidade do programa. A decisão foi tomada após declaração anterior do governo paulista que previa alterações na concessão das bolsas, gerando tensão entre executivos estaduais e setor acadêmico.
Revisão Regulamentar da Fapesp e Contextualização Acadêmica
A Fapesp, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, divulgou nesta semana alterações na política de bolsas Bepe, estabelecendo que, a partir de 1º de setembro, apenas alunos do doutorado direto, doutorado e pós-doutorado poderão concorrer ao programa, excluindo estudantes de iniciação científica e mestrado no exterior. A redução do prazo máximo para o doutorado internacional foi reduzida de um ano para seis meses, medida que tem sido criticada por instituições como USP, Unicamp e Unesp por comprometer a trajetória formativa dos pesquisadores emergentes.
O contexto institucional da mudança se insere em um cenário mais amplo de ajustes orçamentários propostos pelo Executivo paulista, que busca otimizar recursos públicos sem prejuízo das prioridades estratégicas em pesquisa e inovação. Apesar da alegação oficial de preservação financeira das bolsas, a restrição categórica aos níveis acadêmicos elegíveis gerou reação imediata da comunidade científica, que vê na medida um retrocesso no acesso à formação avançada em pesquisa no exterior.
O governo garante manutenção integral dos repasses das bolsas Bepe sem cortes orçamentários vinculados à receita estadual.
Repercussão Política e Consequências Jurídicas
O vice-governador Rodrigo Garcia, responsável pela articulação da política educacional paulista, foi alvo de condenação judicial por vincular o Partido dos Trabalhadores ao tráfico criminoso, sendo obrigado a indenizar o PT em valor não especificado conforme decisão publicada no mesmo período da divulgação da nova regra das bolsas Bepe. A decisão reforça tensões políticas entre o Executivo estadual e o PT, especialmente após declarações polêmicas feitas por Garcia em redes sociais durante campanha eleitoral.
A controvérsia acadêmica em torno da restrição às bolsas Bepe deve culminar em manifestações formais por parte da Adunesp, que já contabiliza mais de 15 mil assinaturas em abaixo-assinado para revertir a medida antes do início da vigência em setembro. O cenário sugere pressão institucional sobre a Fapesp para equilibrar responsabilidade fiscal com garantia do desenvolvimento científico paulista.



