Influenciadores criados por inteligência artificial estão cada vez mais presentes nas redes sociais e, em alguns casos, são tão realistas que conseguem se passar por pessoas reais. Esses personagens digitais publicam fotos e vídeos, adotam personalidades próprias, interagem com seguidores e aparecem em campanhas comerciais, ocupando um espaço semelhante ao de criadores de conteúdo humanos.
Um dos exemplos que ajudaram a popularizar essa onda é Jean Philanthrope, conhecido como Jean Phil, um personagem de cabelo loiro, bigode e terno que viralizou com vídeos de dança e movimentos de boxe pelas ruas de Paris e Bruxelas. Um dos primeiros vídeos do influenciador ultrapassou 36 milhões de visualizações no Instagram em poucos dias. O criador confirmou à imprensa belga que a IA é parte importante da produção, mas disse que os vídeos não são inteiramente gerados artificialmente.
No Brasil, Marisa Maiô é um personagem criado por inteligência artificial que ganhou popularidade nas redes sociais e estrelou campanhas publicitárias em 2025. Após ganhar visibilidade, a personagem fechou publicidades com marcas como Magazine Luiza, OLX e Amstel. Perfis desse tipo podem receber por publicações patrocinadas, participar de campanhas e licenciar a própria imagem.
A criação desses influenciadores nem sempre começa do zero. Uma das técnicas utiliza uma gravação normal feita com uma pessoa em um ambiente real e altera principalmente o personagem que aparece na cena. No caso de Jean Phil, o criador usou um vídeo gravado com uma pessoa real fazendo movimentos de boxe em uma rua e substituiu visualmente essa pessoa pelo personagem de IA, mantendo o restante da cena real.
Ferramentas como Higgsfield AI, Kling AI, Runway, HeyGen e Midjourney são usadas para reconstruir rosto, cabelo, roupas e proporções do corpo a partir de imagens de referência. Isso ajuda a explicar por que alguns vídeos atuais parecem mais naturais do que aqueles produzidos completamente por IA. Ainda assim, ângulos diferentes, objetos passando na frente da pessoa, mudanças na iluminação ou movimentos complexos podem causar pequenas falhas que entregam o uso da tecnologia.
O fato do personagem não existir fisicamente não impede que seu criador ganhe dinheiro com ele. No entanto, nem sempre essa monetização acontece sem controvérsias. Jean Phil gerou debate quando seu perfil começou a promover uma criptomoeda associada ao personagem, chamada JEANPHIL. O projeto foi acusado nas redes sociais de fazer parte de um esquema conhecido como ‘pump and dump’, embora análises posteriores não tenham encontrado evidências para confirmar a acusação. Depois que Jean Phil alcançou popularidade mundial, o criador retirou do perfil a divulgação da criptomoeda associada ao personagem.


