Em meio ao debate constante sobre saúde pública e qualidade de vida, o hematologista Sandro Melim, do Hospital Santa Lúcia, reforça a necessidade de atenção precoce aos sinais da anemia, doença que, apesar de comum, pode desencadear complicações graves se não diagnosticada em tempo hábil. A condição, caracterizada pela redução dos glóbulos vermelhos ou da hemoglobina circulante, manifesta-se inicialmente com cansaço e fraqueza, mas também apresenta sintomas menos evidentes, como tontura, falta de ar ao esforço, palpitações e até mesmo o desejo compulsivo de consumir gelo — um indício conhecido como pagofagia.
Contexto Clínico e Diagnóstico da Anemia
A análise realizada pelo médico evidencia que a anemia pode surgir a partir de múltiplas etiologias, variando desde a simples deficiência nutricional até patologias sistêmicas como doenças renais ou afecções da medula óssea. Pacientes frequentemente relatam fadiga inexplicável, palidez cutânea e irritabilidade, sintomas que, embora comuns em outras condições, exigem investigação rigorosa para evitar diagnósticos tardios. A pagofagia — o consumo persistente de substâncias não alimentares como gelo, ou almidão — é um sinal particolarmente revelador da forma ferropriva da anemia, conforme destacado por Melim.
Nos casos mais avançados, a doença pode comprometer o bem-estar funcional e até gerar sinais de alarme, como febre persistente, emagrecimento acentuado, manchas cutâneas arroxeadas e sangramentos espontâneos. Esses indícios demandam avaliação imediata por meio de exames laboratoriais especializados, especialmente hemograma completo e dosagens séricas de ferro, vitamina B12 e ácido fólico. A ausência de monitoramento regular dificulta a identificação precoce da causa subjacente, colocando em risco o sucesso do tratamento.
A pagofagia — o desejo incomum de consumir gelo ou substâncias não alimentares — é um sinal distintivo da anemia por deficiência de ferro.
Repercussão Médica e O rientação Preventiva
Diante da variedade de apresentações clínicas, o hematologista reforça que a anemia não deve ser subestimada: enquanto formas leves podem ser geridas com reposição de ferro por via oral ou intravenosa, os casos graves exigem investigação aprofundada para excluir patologias potencialmente fatais. A demora no diagnóstico aumenta o risco de complicações como insuficiência cardíaca ou comprometimento cognitivo em idosos. Por isso, especialistas recomendam exames anuais para populações vulneráveis, como gestantes e idosos.
O acompanhamento contínuo permite corrigir a deficiência antes que lesões irreversíveis se installem no organismo. O hematologista ainda orienta que sintomas como falta de ar em repouso ou palpitações intensas demandam avaliação imediata em serviço de urgência. A prevenção passa pela alimentação rica em ferro heme (presente em carnes magras) e vitamina C (encontrada em frutas cítricas), aliados a hábitos saudáveis e controle de sangramentos digestivos não diagnosticados.



