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Análise: Falta de respostas de Flávio ajudou a dar vitória a Lula

PorYumi IAVerificadoAutora IAPublicado Hoje às 04:17
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Análise: Falta de respostas de Flávio ajudou a dar vitória a Lula
Fatos Rápidos da Notícia
  • O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) saiu do primeiro turno da eleição presidencial com a sensação de que a vitória estava ao seu alcance.
  • A vantagem de mais de 2,2 milhões de votos sobre Luiz Inácio Lula da Silva (PT), somada ao histórico de que nenhum candidato que terminou a primeira votação em segundo lugar havia conseguido virar a disputa, reforçou a confiança de aliados de que bastaria administrar a dianteira para chegar ao Palácio do Planalto.
  • O resultado inicial reforçou a aposta de que o discurso de futuro, em contraposição ao que chamava de atraso de Lula, seria suficiente para vencer a eleição. E de que não seria necessário prestar maiores esclarecimentos sobre investigações das quais é alvo, relações pessoais e propostas de governo.
Resumo Editorial

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) saiu do primeiro turno da eleição presidencial com a sensação de que a vitória estava ao seu alcance.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) saiu do primeiro turno da eleição presidencial com a sensação de que a vitória estava ao seu alcance.

A vantagem de mais de 2,2 milhões de votos sobre Luiz Inácio Lula da Silva (PT), somada ao histórico de que nenhum candidato que terminou a primeira votação em segundo lugar havia conseguido virar a disputa, reforçou a confiança de aliados de que bastaria administrar a dianteira para chegar ao Palácio do Planalto.

O resultado inicial reforçou a aposta de que o discurso de futuro, em contraposição ao que chamava de atraso de Lula, seria suficiente para vencer a eleição. E de que não seria necessário prestar maiores esclarecimentos sobre investigações das quais é alvo, relações pessoais e propostas de governo.

Foi nesse flanco que, no segundo turno, a campanha petista concentrou seu chamado "marketing do medo", explorando não apenas as suspeitas envolvendo o candidato e suas promessas pouco detalhadas, mas reforçando a lembrança do governo Jair Bolsonaro, como o número de mortos da pandemia da Covid-19.

Logo após o primeiro turno, Flávio acendeu um alerta ao defender mudanças na Constituição de 1988 para "redemocratizar" o país.

A declaração ganhou repercussão por partir do filho de Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, e diante da força do PL no Congresso, que terá 121 deputados e 28 senadores a partir de 2027.

Pressionado, o senador disse que pretendia fazer alterações pontuais, como mudanças no Judiciário, na maioridade penal e no fim da reeleição.

O antibolsonarismo, e não apenas o legado de Lula, acabou sendo o combustível para a mobilização que levou multidões às ruas no segundo turno e ajudou a garantir ao petista, que completa 81 anos nesta terça-feira (27), seu quarto mandato.

Lula passou de 53,9 milhões para 64,3 milhões de votos, um acréscimo de aproximadamente 10,4 milhões. Flávio também ampliou sua votação, mas em proporção menor, saindo de 56,1 milhões para 59,8 milhões, crescimento de 3,7 milhões.

A vantagem de 2,2 milhões de votos do senador se transformou em uma diferença de 4,4 milhões a favor de Lula, que venceu com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio.

Em Minas Gerais, o presidente reverteu a derrota do primeiro turno. Em São Paulo, a vantagem do candidato do PL caiu de 3,4 milhões para aproximadamente 2 milhões de votos.

Enquanto parte do entorno de Flávio apostava na rejeição a Lula e na força eleitoral do bolsonarismo, o presidente intensificou a mobilização nas ruas e nas redes sociais.

A campanha petista explorou mudanças de versão, suspeitas de irregularidades e o risco de cortes em programas sociais associado ao "tesouraço" prometido pelo adversário.

Um dos principais focos de desgaste foi o filme "Dark Horse", sobre a trajetória de Jair Bolsonaro, que recebeu financiamento do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Ainda na pré-campanha, Flávio negou ter procurado o empresário, mas mudou de versão após a divulgação de áudios e mensagens. O senador chegou a prometer que prestaria contas sobre os recursos, mas depois atribuiu a responsabilidade à produtora, sem apresentar os esclarecimentos prometidos.

Flávio se tornou alvo de uma investigação da Polícia Federal por suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

A PF apura o destino dos recursos, que teriam passado por um fundo de investimentos nos Estados Unidos, e busca esclarecer se parte do dinheiro foi utilizada para custear despesas de Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, em território americano.

Lula aproveitou o episódio para desafiar Flávio a abrir seus sigilos bancário e telefônico, uma cobrança que colocou o senador na defensiva e se prolongou até a reta final.

O candidato do PL reagiu impondo condições e exigindo que o presidente e seus familiares também divulgassem informações financeiras. A disputa acabou sem resultado prático, já que nenhum dos dois candidatos abriu os sigilos.

Outra investigação envolve a relação de Flávio com o advogado Willer Tomaz, amigo do senador. A PF apura possíveis vínculos financeiros entre os dois, incluindo o acesso de Flávio a uma conta de empresa ligada ao advogado e o custeio de viagens.

O senador nega irregularidades e afirma manter apenas uma relação de amizade com Willer, que também contesta as suspeitas.

Na reta final, a disputa pela posse de uma ilha em Angra dos Reis (RJ) também colocou Flávio na defensiva. O jogador Richarlison acusou o senador e Willer Tomaz de se apropriarem indevidamente da propriedade, o que ambos negam.

A Polícia Federal decidiu incluir o episódio na investigação sobre a relação entre Flávio e o advogado, e Lula explorou o caso no último debate presidencial, na TV Globo.

Na economia, Flávio teve dificuldades para explicar o "tesouraço" prometido para ajustar as contas públicas.

Sem detalhar quais despesas seriam cortadas, abriu espaço para que a campanha petista associasse a proposta a riscos para programas como Bolsa Família, Farmácia Popular e Minha Casa Minha Vida. O senador negou que pretendesse reduzir benefícios e afirmou que cortaria a "corrupção do governo".

A ofensiva ganhou força depois que Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha, defendeu uma regra de transição de dois anos para beneficiários do Bolsa Família que conseguissem emprego formal ou abrissem uma empresa.

O PT explorou a proposta como ameaça ao benefício e recuperou uma publicação antiga em que Flávio se referia a um programa social como "bolsa-farelo". O senador negou intenção de extinguir o Bolsa Família.

O senador também passou a ser pressionado após a revelação de que atuou como advogado de um policial militar acusado de matar Ana Clara Gomes Machado, de cinco anos, atingida por um tiro de fuzil em Niterói (RJ).

No último debate presidencial, na TV Globo, Lula cobrou explicações diante da mãe da menina, que estava na plateia. Flávio tentou justificar sua atuação, mas acabou chamando Cristiane Gomes da Silva pelo nome da filha morta.

A relação do bolsonarismo com as armas também ganhou destaque na disputa. No Rio Grande do Norte, a imagem de uma criança segurando um objeto semelhante a uma arma durante uma comemoração de apoiadores de Flávio foi contraposta pela campanha petista à de crianças erguendo a Constituição.

Somou-se a isso a repercussão da defesa feita pelo senador de mudanças na identificação de munições, cuja numeração ele tratou como um "detalhezinho".

Nas redes sociais, o bolsonarismo enfrentou uma ofensiva digital que conseguiu disputar espaço com sua militância.

O deputado André Janones (Rede-MG) ganhou protagonismo com o canal "Exército de Lula", que ultrapassou 10 milhões de seguidores e ampliou a mobilização petista, inclusive nas transmissões ao vivo do presidente.

Escolhido pelo pai para disputar a Presidência, Flávio tentou vender a imagem de um Bolsonaro mais moderado, mas tropeçou nos debates. A agressividade na Band preocupou aliados, que recomendaram uma postura "menos Marçal" na Globo.

Ainda assim, o senador chamou Lula de "nove dedos" e fez comentários sobre sua audição e dicção, reproduzindo ataques pessoais que contrastavam com a moderação prometida.

Ao longo da campanha, Lula, dando protagonismo ao vice Geraldo Alckmin, buscou atrair eleitores de direita e centro-direita ao insistir que a disputa não era entre esquerda e conservadores, mas contra o bolsonarismo. Deu certo.

A segunda derrota consecutiva de um Bolsonaro para o petista deixa um recado ao clã de que, apesar da força eleitoral e da bancada robusta no Congresso, não é o dono da direita brasileira.

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