Na conturbada semana eleitoral que definiu o rumo do Legislativo, o senador O mar Aziz, relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa extinguir a tradicional escala 6×1 no Senado Federal, articula sua presença política no Amazonas com a expectativa de influenciar a votação em Brasília, dependendo da decisão de Davi Alcolumbre de levar o texto à tramitação antes do fechamento do calendário eleitoral.
Contexto Institucional e Estratégico da PEC 6×1
O relator da PEC que propõe suprimir a representação majoritária por estado na configuração bicameral do Congresso Nacional, O mar Aziz, encontra-se em plena campanha pela reeleição ao governo do Amazonas, onde sua atuação como senador tem sido fundamental para consolidar alianças com partidos de centro e direita. A iniciativa legislativa, que pretende transformar a câmara alta em um órgão de representação proporcional à população, já havia passado pela primeira votação em comissão e aguarda apreciação no plenário, um passo crítico que exige consenso entre os líderes partidários. O desenrolar dos acontecimentos eleitorais, com a surpreendente vantagem de Flávio Bolsonaro no primeiro turno das eleições presidenciais, reconfigurou os cálculos do Planalto e dos estrategistas do governo Lula, que percebem a necessidade de pressionar pela aprovação da matéria antes do segundo turno.
Nos corredores do Congresso Nacional, a expectativa é de que a PEC seja votada em sessão deliberativa ainda este mês, embora a disponibilidade dos senadores nos estados e a preferência por modalidades remotas de votação tenham reduzido significativamente as oportunidades de debate presencial. A estratégia governista gira em torno de garantir apoio suficiente entre os 81 parlamentares, considerando as posições já declaradas por aliados do Centrão e setores da oposição que defendem o adiamento para evitar confrontos diretos com a base eleitoral pós-eleição.
A PEC que visa abolir a escala 6×1 no Senado pode redefinir o paradigma de representação política no Brasil até 2027.
Repercussão Política e Desdobramentos da Tramitação
O temor central no Planalto é que Davi Alcolumbre, presidente em exercício da República e líder natural do Partido Liberal (PL), desacelere ou incluso a proposta em negociações mais amplas relacionadas a cargos ministeriais e pactos federativos, o que atrasaria sua aprovação em um cenário de fragilidade relativa do governo nas urnas. Líderanças governistas se reunirão nesta terça-feira (06/10) para delinear uma estratégia de pressão sobre os senadores, priorizando o engajamento direto com os aliados mais próximos do presidente Lula e articulando possíveis concessões políticas para garantir o aval da Casa.
Com o calendário eleitoral apertado e os resultados ainda em transição, a definição sobre a PEC deve ocorrer até quinta-feira (08/10), quando os rumos da tramitação serão definitivos; caso contrário, a proposta tende a ser postergada para o próximo biênio legislativo. A oposição, por sua vez, intensifica a pressão para que o adiamento seja formalizado, argumentando que senadores eleitos para mandatos de oito anos não devem submeter-se a decisões polêmicas em ano de eleição.



