O laudo complementar do Instituto de Criminalística de São Paulo, divulgado nesta quinta-feira, concluiu que a morte da soldado Gisele Alves Santana, ocorrida em fevereiro de 2023, foi classificada como homicídio doloso, desconsiderando a hipótese inicial de suicídio e confirmando a participação direta do seu ex-marido, o tentente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, na ação letal.
Avaliação Pericial e Desconstrução da Hipótese Suicida
A perícia técnica realizada pelo Instituto de Criminalística de São Paulo analisou minuciosamente os elementos materiais e biológicos encontrados no corpo da soldado Gisele Alves Santana, coletados no local do óbito em fevereiro de 2023, e verificou inconsistências cronológicas e anatômicas que inviabilizaram a teoria do suicídio. O s resultados apontaram ausência de vestígios de autoincêndio ou arma própria que justificassem uma ação voluntária por parte da vítima, além de indícios claros de estrangulamento manual seguido de arma branca – possivelmente uma faca – utilizada para causar lesão letal no tórax. A constatação de que o corpo exibia sinais de luta prévia, com desgaste da pele e ruptura vascular traumática, reforçou a caracterização do fato como homicídio doloso.
As investigações policiais revelaram que Geraldo Leite Rosa Neto, ex-marido da vítima e então tenente-coronel do Exército Brasileiro, manteve histórico de violência doméstica contra Gisele Santana nos últimos meses anteriores ao crime. Testemunhas ouvidas pela Polícia Civil relataram episódios de agressão física e psicológica, incluindo ameaças explícitas à vida da policial. O crime ocorreu em fevereiro, após meses de monitoramento das ações judiciais referentes à guarda das filhas do casal, o que reforça o contexto de vingança e controle exercido pelo autor.
O laudo pericial concluiu que a morte da soldado Gisele Alves Santana foi considerada homicídio doloso e não suicídio.
Repercussão Institucional e Desdobramentos Judiciais
A decisão do Instituto de Criminalística acirrou o debate jurídico sobre feminicídio no Brasil, já que a vítima era membro das Forças Armadas e o crime ocorreu em contexto militar. O Ministério Público Federal noticiou que está avaliando a possibilidade de migrar o inquérito para Justiça Militar, sob responsabilidade do Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo. Ao mesmo tempo, o governo federal reiterou seu compromisso com a erradicação da violência contra mulheres nas instituições policiais e militares por meio da Política Nacional para a Igualdade entre Mulheres e Homens.
O s próximos passos incluem a designação de nova data para o julgamento em primeira instância no Foro da Comarca onde o crime foi cometido, previsto para o segundo semestre deste ano. Enquanto isso, Geraldo Leite Rosa Neto permanece sob prisão preventiva desde março do ano passado, com réplica técnica formalizada pela Polícia Civil. A família da vítima ainda aguarda desfecho definitivo na esfera criminal para buscar reparação civil e reconhecimento institucional do feminicídio.



